Dos 20 piores municípios ranqueados em 2026, sete são capitais de seus estados, incluindo Macapá

O Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, publica a 18ª edição do Ranking do Saneamento com foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. Para produzir o ranqueamento, foram levados em consideração os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2024, publicados pelo Ministério das Cidades.
A falta de acesso à água potável ainda impacta mais de 30 milhões de brasileiros, enquanto cerca de 90 milhões (43,3% da população) não possuem coleta de esgoto, refletindo em problemas de saúde, falta de produtividade no trabalho, desvalorização imobiliária, perdas relacionadas ao turismo e queda na qualidade de vida da população, impactando profundamente o desenvolvimento socioeconômico do país.
O RANKING DO SANEAMENTO 2026
O Ranking do Saneamento é composto pela análise de três dimensões do saneamento básico em cada município: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”. Nesta edição, Franca (SP) ocupa a primeira colocação, seguida por São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). Pela primeira vez na série histórica do Ranking, os quatro municípios mais bem posicionados alcançaram a pontuação máxima. Isso significa que, em 2024, essas cidades não apenas apresentavam níveis de atendimento considerados universalizados, conforme estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento Básico, como também registravam baixos índices de perdas, compatíveis com os parâmetros definidos pela Portaria nº 490/2021, que é de 25% para perdas na distribuição ou 216 L/por ligação por dia para perdas por ligação.
Devido ao empate na pontuação, foi necessária a adoção de um critério de ranqueamento. Para isso, utilizou-se a soma dos indicadores de atendimento total de água (IAG0001), esgoto (IES0001) e esgoto tratado em relação à água consumida (IES2003). Esses indicadores variam de zero a 100, resultando em uma pontuação máxima possível de 300 pontos.
DESTAQUES DO RANKING DE SANEAMENTO 2026:
QUEM SÃO OS 20 MELHORES?
Dos 20 municípios mais bem colocados no Ranking de 2026, nove são do estado de São Paulo, seis do Paraná, dois de Goiás, dois de Minas Gerais e um do estado do Rio de Janeiro.
QUEM SÃO OS 20 PIORES?
Dos 20 piores municípios do Ranking de 2026, quatro estão no Rio de Janeiro, quatro no Pará e três em Pernambuco. Do restante, quatro pertencem à macrorregião Norte, três situam-se na macrorregião Nordeste, um no Centro-Oeste e outro na região Sul. Além disso, dos 20 piores municípios ranqueados em 2026, sete são capitais de seus estados: Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).

20 MELHORES × 20 PIORES
Analisando os dados apresentados no Quadro 4, é possível observar uma relação direta entre o volume de investimentos e os avanços nos indicadores de saneamento básico. Nesse sentido, um indicador relevante é o Investimento Médio por Habitante, pois permite comparar os grupos dos 20 melhores e dos 20 piores a partir da distância relativa de seus níveis de investimento em relação ao valor estabelecido pelo PLANSAB como referência para a universalização do saneamento nos municípios, de R$ 225 por habitante.
Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados no Ranking registraram um investimento anual médio de R$ 176,17 por habitante, cerca de 22% abaixo do patamar nacional médio estimado para a universalização. Esse nível de investimento é compatível com a realidade dessas cidades, que já apresentam indicadores avançados ou universalizados, sem comprometer o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento Básico e da Portaria nº 490/2021.
Em contraste, os 20 municípios com pior desempenho apresentaram investimento anual médio de R$ 77,58 por habitante no mesmo período, cerca de 66% abaixo do patamar nacional médio. Diante de indicadores ainda muito distantes da universalização, esse baixo volume de investimentos dificulta significativamente o alcance das metas legais dentro do prazo.
A diferença nos investimentos se reflete diretamente nos indicadores de saneamento. Nos 20 melhores municípios, o atendimento total de água chega a 99,05%, enquanto nos 20 piores fica em 83,01%, diferença de 16,05 pontos percentuais (p.p.). As disparidades também estão presentes nos demais serviços. Enquanto os 20 melhores municípios contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores possuem apenas 28,06%, uma diferença de 70,02 p.p.. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36%, uma diferença de 49,61 pontos percentuais. Já as perdas na distribuição ficam em 24,28% nos 20 melhores e 44,78% nos 20 piores, diferença de 20,50 .
Coleta de Esgoto
Em relação à coleta total de esgoto, apenas sete capitais têm índice de mais de 90% de atendimento: Goiânia (GO), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Brasília (DF), Boa Vista (RR) e Belo Horizonte (MG). Contudo, assim como no indicador anterior, há capitais na macrorregião Norte com taxas de esgotamento sanitário baixas, inferiores a 15%. São os casos de Macapá (AP), com 14,94% e Porto Velho (RO), com 8,69%.
No que diz respeito ao tratamento de esgoto, os gargalos parecem ainda maiores, pois apenas sete capitais apresentam ao menos 80% de tratamento: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), João Pessoa (PB) e Maceió (AL). Por outro lado, três capitais trataram menos de 20% do esgoto coletado: São Luís (MA), com 15,78%; Teresina (PI), com 18,74%; e Porto Velho (RO), com 19,72%.
Com informações do Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados








