Pesquisa de 2024 encomendada pelo Instituto Pólis indica que 36% das famílias brasileiras gastam mais da metade do orçamento mensal com energia elétrica e gás

O aumento nas tarifas de energia no Amapá tem se configurado como um peso substancial no dia a dia das famílias, ao ponto de comprometer até mais de 15 % da renda mensal em lares simples — e inviabilizar qualquer sobra para lazer e bem-estar.
Socorro do Amaral, aposentada, moradora do bairro Infraero I conta que a despesa com energia na família chega a R$ 1.200 por mês, consumindo mais de 15 % da renda familiar. “Dinheiro que faz falta, tive de escolher entre plano de saúde ou energia”, lamenta.
Flávia e Gerson Batista, casal com dois filhos, gastam em média R$ 1.700 mensais com luz. “Boa parte da nossa renda é só pra conta de energia. Não temos mais direito a lazer”, desabafa Flávia.
Reajustes desde a privatização

Privatizada em junho de 2021, pelo ex-governador Waldez Góes (PDT) a Equatorial Amapá, antiga Companhia de Energia do Amapá (CEA), atende 211 mil unidades consumidoras nos 16 municípios amapaenses.
Em 2023 a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sugeriu reajustes por grupos de consumo: consumidores residenciais, 43,90%; clientes de alta-tensão, 43,71%; e clientes baixa tensão, 46,70%, com um efeito médio ao consumidor de 44,41%.
Na ocasião a população foi beneficiada por uma Medida Provisória (MP), assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida buscava minimizar os impactos do reajuste na tarifa de energia elétrica de 44%, percentual considerado abusivo por parlamentares e especialistas locais.
Segundo parlamentares do Amapá em Brasília, o reajuste acabou ficando na casa de 36%, ultrapassando a média nacional de 15% e, portanto, o dobro do praticado em outras regiões do país, Em dezembro de 2024 foi aprovado novo reajuste de 13,7 % encarecendo ainda mais a tarifa, já pesada para os padrões financeiros da população amapaense.
Pressão sobre famílias de baixa renda
Pesquisa de 2024 encomendada pelo Instituto Pólis indica que 36% das famílias brasileiras gastam mais da metade do orçamento mensal com energia elétrica e gás de cozinha, despesas que são ainda mais pesadas para quem recebe até um salário mínimo.
Uma das conclusões é que para quem possui renda familiar acima de cinco salários mínimos, a conta de luz causa menos impacto. Apenas 16% das pessoas nesta faixa de renda responderam que os gastos com energia comprometem metade ou mais de sua renda.

Já no caso de renda familiar de até um salário mínimo, o percentual salta para 53%.
Morador de uma área de ponte, na zona sul de Macapá, e com renda familiar de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) o amapaense Luís Souza conta que paga em média R$ 600,00 (seiscentos reais) só com energia elétrica.
A boa notícia é que parte da população poderá ser beneficiada pela nova Tarifa Social a partir de julho de 2025, com até 100 % de isenção em consumo de até 80 kWh mensais. São 91,8 mil unidades consumidoras amapaenses beneficiadas pelas novas regras da Tarifa Social.

Consumidor em Geral
Para aqueles que não forem beneficiados pela nova Tarifa Social, segue o pesadelo das cobranças absurdas que afetam diretamente a renda familiar, impactando nas condições de vida dos amapaenses.
A decisão de privatizar a estatal de energia amapaense se tornou uma conta cara demais para o bolso da população de um dos estados mais pobres do país.








