Tarifas impostas por Trump cancelam exportação de açaí do Amapá e causam prejuízo de quase meio milhão

A medida afetou diretamente 151 extrativistas da Amazonbai, que atuam nas regiões do arquipélago do Bailique e da “beira Amazonas”

A imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já começa a produzir efeitos diretos na economia da Amazônia. A maior cooperativa de extrativistas do Amapá, a Amazonbai, anunciou a suspensão da exportação de 1,5 tonelada de açaí para o mercado norte-americano, gerando um prejuízo estimado de R$ 480 mil para seus cooperados.

A carga, que estava programada para ser enviada em julho, incluía dois tipos de produtos derivados do açaí: a polpa congelada, vendida por cerca de US$ 5 o quilo (aproximadamente R$ 27,69), e o açaí liofilizado em pó, comercializado a US$ 60 o quilo (cerca de R$ 332,25). Com a implementação do chamado “tarifaço” por Trump, os custos de exportação se tornaram inviáveis para a cooperativa.

A medida afetou diretamente 151 extrativistas da Amazonbai, que atuam nas regiões do arquipélago do Bailique e da “beira Amazonas”, em Macapá — áreas reconhecidas pela produção de açaí de alta qualidade e pela prática sustentável da coleta do fruto.

Diante da interrupção das remessas e da incerteza no comércio com os EUA, a cooperativa agora busca alternativas para escoar a produção e evitar novas perdas. “Estamos em contato com parceiros da Europa e da Ásia. Precisamos garantir que o esforço dos extrativistas não seja perdido e que os compromissos com as famílias sejam mantidos”, declarou um representante da Amazonbai.

Além do impacto econômico imediato, a suspensão também compromete estratégias de valorização dos produtos amazônicos e de fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis na região.

A expectativa da cooperativa é que, com apoio de órgãos governamentais e de entidades internacionais, novas rotas comerciais possam ser viabilizadas a curto prazo, garantindo renda e dignidade aos trabalhadores que vivem do extrativismo no Amapá.

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