No centro das investigações aparecem Rodrigo de Queiroz Moreira e Fabrizio de Almeida Gonçalves, ambos são sócios da empresa Santa Rita Engenharia

O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que embasa a Operação Paroxismo, da Polícia Federal, expõem com clareza a estrutura de um suposto esquema criminoso envolvendo a obra do Hospital Geral de Macapá.
O documento, vinculado ao inquérito que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, aponta para movimentações de recursos de forma considerada incompatível com a atividade empresarial.
Principais investigados
No centro das investigações aparecem Rodrigo de Queiroz Moreira e Fabrizio de Almeida Gonçalves, ambos são sócios da empresa Santa Rita Engenharia Ltda, vencedora da licitação da obra do hospital.
Rastro do dinheiro: saques milionários em espécie
Com base no Relatório de Inteligência Financeira nº 111966, a PF identificou movimentações consideradas altamente suspeitas
De acordo com o documento o empresário Rodrigo de Queiroz Moreira realizou 42 saques em espécie, totalizando R$ 7.427.800,00. O outro proprietário da construtora Fabrizio Gonçalves realizou 17 saques em espécie totalizando R$ 2.465.000,00 . O período investigado é de janeiro de 2023 a setembro de 2024.
As retiradas ocorreram logo após repasses da prefeitura à empresa, sem qualquer justificativa compatível com a execução da obra.
Segundo a PF, os valores não retornaram ao sistema bancário; não foram vinculados a pagamentos contratuais e indicam possível uso indevido na destinação dos recursos.

Inquérito
No inquérito da operação Paroxismo a Polícia Federal sustenta que o caso envolve fraude à licitação, suposto pagamento de propina, uso de dinheiro em espécie para dificultar rastreamento e mecanismos sofisticados de dissimulação patrimonial.
Os fatos, segundo o relatório, se enquadram, em tese, nos crimes de peculato; corrupção ativa e passiva; fraude à licitação; lavagem de dinheiro.
As investigações levaram ao afastamento pela justiça e posterior renúncia do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), candidato ao governo do Estado nas eleições de outubro próximo.
Sem delação, cenário é crítico
Na avaliação de fontes ouvidas pelo ConectAmapá, o conjunto de provas técnicas, periciais e financeiras cria um cenário extremamente delicado para os empresários investigados.
Sem acordos de colaboração premiada, a tendência é de forte dificuldade para justificar o volume elevado de saques em dinheiro vivo, a ausência de lastro contábil e a desconexão entre movimentação financeira e execução contratual.
Especialistas apontam que esse padrão é classicamente associado a um mecanismos sofisticados de corrupção em obras públicas, o que pode agravar significativamente a situação penal dos envolvidos, caso sejam denuciados e condenados.

Linha de investigação
O relatório analisado corresponde à fase inicial estruturante do inquérito, mas já apresenta elementos considerados robustos pela Polícia Federal.
A expectativa é que, com o aprofundamento das investigações e eventual quebra de sigilos adicionais, novos nomes e fluxos financeiros venham à tona.
Se confirmadas as suspeitas, o caso pode se consolidar como um dos maiores escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro já investigados no Amapá.








