Localidades de Itaubal, Mazagão e o distrito do Bailique também já receberam equipamentos que garantem conservação de alimentos para populações ribeirinhas e agricultores

A rotina de depender de lamparinas e velas ficou para trás para 162 famílias das comunidades de Vila Velha, Vila Alegre e 1ª do Cassiporé, no município de Oiapoque, extremo norte do Brasil. Através do programa Luz para Todos, a energia elétrica constante deixou de ser um sonho distante para se tornar realidade por meio da tecnologia solar.
O projeto foca em áreas onde a rede elétrica convencional não consegue chegar devido aos desafios geográficos da Amazônia. Para transpor essa barreira, foram instalados os Sistemas Individuais de Geração de Energia Solar (SIGFI).
Tecnologia a favor do isolamento
Cada residência contemplada recebeu um kit autossuficiente. O sistema é composto por:
- Painéis Solares: Para captação da luminosidade abundante na região
- Baterias de Armazenamento: Que garantem energia durante a noite ou períodos de chuva
- Inversores e Equipamentos Técnicos: Para transformar a luz solar em eletricidade pronta para o uso doméstico
Diferente de iniciativas antigas, essas famílias agora contam com acompanhamento técnico permanente e foram integradas à Tarifa Social de Energia Elétrica, garantindo que o custo da manutenção seja compatível com a realidade de baixa renda das comunidades.


Do “gelo no freezer” ao estudo noturno
Para quem vive no Cassiporé, as mudanças são sentidas nos pequenos detalhes, como o prazer de beber água gelada. Raimundo Benedito, morador local, não esconde a satisfação:
“Era tudo na lamparina e tudo era mais difícil. Hoje temos energia direto. Tem o freezer para gelar uma água… me sinto tranquilo”, celebra.
O impacto vai além do conforto térmico. Para o agricultor Edson Barbosa, a energia é uma ferramenta de trabalho e segurança alimentar.
“Você traz um alimento do rio e agora você só tempera e coloca no freezer. Ele vai poder ficar conservado”, explica Edson, ressaltando que a perda de proteína por falta de refrigeração era um problema constante.
Expansão
Além de Oiapoque, localidades em Itaubal, Mazagão e o distrito do Bailique já sentem os reflexos do programa. Segundo a CEA Equatorial, responsável pela execução do Luz Para Todos no Amapá, o cronograma de expansão seguirá ao longo de 2026, com a meta de reduzir a exclusão energética em outros municípios do estado.
O objetivo central é que o acesso à luz funcione como um catalisador para a educação de crianças — que agora podem estudar à noite — e para o desenvolvimento econômico local, permitindo o armazenamento de medicamentos e o fomento a pequenos comércios comunitários.








