Reportagem do UOL chama atenção para presença de Antônio Furlan, da esposa Rayssa e do irmão Neto Furlan na disputa eleitoral; três integrantes da mesma família ocupam posições na chapa majoritária

A presença de integrantes da família Furlan nas eleições de 2026 ganhou destaque nacional neste domingo (30). Reportagem publicada pelo UOL chama atenção para uma configuração pouco comum na disputa pelo poder no Amapá: o candidato ao Governo do Estado, Antônio Furlan (PSD), tem a própria esposa como candidata ao Senado e o irmão como primeiro suplente dela. A composição pode representar o início da formação de um novo clã político no estado.
Com o título “Candidato que lidera disputa no Amapá tem mulher e irmão na chapa”, a reportagem do UOL destaca que três integrantes da família ocupam posições estratégicas na eleição.
Irmão estreia diretamente como suplente ao Senado
Outro aspecto destacado nacionalmente é a entrada de Neto Furlan na política eleitoral. Advogado, ele disputa sua primeira eleição e estreia justamente como primeiro suplente da cunhada. Caso Rayssa seja eleita e, futuramente, deixe temporária ou definitivamente o mandato nas hipóteses previstas em lei, caberá ao primeiro suplente assumir a cadeira no Senado.
O UOL informa ainda que Neto declarou patrimônio de R$ 7,69 milhões à Justiça Eleitoral. Mais de R$ 5 milhões correspondem a participações em lotes agrícolas. Ele declarou também terrenos, imóvel residencial e participação integral em duas empresas. Rayssa Furlan, por sua vez, declarou patrimônio de R$ 1,37 milhão.
Diferentemente do cunhado, Rayssa já participou de uma eleição. Médica, ela disputou o Senado em 2022 pelo MDB, mas não conseguiu se eleger. Em 2026, retorna à disputa pelo Podemos.
Configuração familiar
A presença simultânea de marido, esposa e irmão na disputa não representa, por si só, irregularidade eleitoral.
Ouvido pelo UOL, o advogado Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral, explicou que a inelegibilidade decorrente de parentesco está relacionada à existência de familiar no exercício da chefia do Executivo. Como nenhum deles ocupa atualmente o Governo do Amapá, não existe impedimento para que disputem simultaneamente os cargos.
O especialista, entretanto, chama atenção para uma questão política que vai além da legalidade: a concentração de espaços eleitorais dentro de uma mesma família. Para Rollo, cabe ao eleitor avaliar os motivos para a formação de um grupo tão fechado entre parentes e se outros nomes poderiam ocupar essas posições.
Um novo clã na política amapaense?
A reportagem nacional coloca em evidência um fenômeno conhecido na política brasileira: a construção de grupos familiares que, a partir da projeção eleitoral de uma liderança, passam a ocupar diferentes espaços de poder.
No caso dos Furlan, o processo ocorre de maneira acelerada. Antônio Furlan consolidou sua projeção política a partir da Prefeitura de Macapá e agora tenta chegar ao Governo do Estado. Paralelamente, Rayssa busca uma cadeira no Senado e Neto ingressa formalmente na disputa eleitoral como suplente.
Caso os resultados apontados atualmente pelas pesquisas se confirmem nas urnas, a família poderá ampliar significativamente sua presença no cenário político amapaense, com Antônio Furlan no comando do Executivo estadual e Rayssa no Senado — tendo o próprio irmão do governador como primeiro na linha de substituição da senadora.
A configuração permite, portanto, levantar a discussão sobre o surgimento de um novo núcleo familiar de poder no Amapá, fenômeno que agora ultrapassa o debate político local e passa a chamar a atenção da imprensa nacional.
Furlan deixou prefeitura após afastamento pelo STF
O UOL também relembrou as circunstâncias que antecederam a candidatura de Antônio Furlan ao governo. O ex-prefeito renunciou à Prefeitura de Macapá em 5 de março, um dia depois de ser afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito de investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos da saúde. Na ocasião, Furlan afirmou que a renúncia ocorreu para disputar o Governo do Amapá.
A reportagem também registra que o candidato é investigado pela Polícia Federal em outra apuração, relacionada à suspeita de financiamento de uma estrutura de milícia digital. A investigação apura o suposto emprego de mais de R$ 25 milhões em contratos de publicidade para financiar uma estrutura destinada à promoção política de Furlan e a ataques contra adversários.
Apesar das investigações, o ex-prefeito permanece na liderança da pesquisa Quaest citada pela reportagem.
A reportagem completa pode ser consultada no UOL Eleições.








