Amapá vai às urnas para escolher seu 10º governador desde a transformação em estado

Mais de 577 mil eleitores estão aptos a votar neste domingo; eleição de 2026 é a décima disputa pelo Palácio do Setentrião desde 1990 e chega à reta final concentrada principalmente entre Clécio Luís e Antônio Furlan

Em 36 anos de eleições estaduais, apenas cinco políticos foram eleitos diretamente para governar o Amapá

Neste domingo, 4 de outubro, 577.534 eleitoras e eleitores do Amapá estão aptos a ir às urnas para escolher quem comandará o estado pelos próximos quatro anos. A votação escreve mais um capítulo de uma história relativamente recente: será apenas a décima eleição para governador realizada desde que o Amapá deixou de ser território federal e foi transformado em estado pela Constituição de 1988.

Em 36 anos de eleições estaduais, apenas cinco políticos foram eleitos diretamente para governar o Amapá: Aníbal Barcelos, João Alberto Capiberibe, Waldez Góes, Camilo Capiberibe e Clécio Luís. Alguns deles venceram mais de uma eleição.

Agora, cabe novamente ao eleitor decidir quem ocupará o Palácio do Setentrião a partir de janeiro de 2027.

Embora cinco candidatos estejam registrados para a disputa, a campanha de 2026 ficou concentrada principalmente no confronto entre o atual governador Clécio Luís (União Brasil), que busca a reeleição, e o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD). A última pesquisa Quaest, realizada nos dias 2 e 3 de outubro, reforçou esse cenário: nos votos válidos, Furlan registrou 53% e Clécio, 47%, enquanto os outros três candidatos apareceram com 0% após arredondamento.

Mais de 577 mil eleitores decidem o futuro do estado

O número oficial consolidado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá é de 577.534 pessoas aptas a votar em 2026.

O eleitorado cresceu em relação às eleições municipais de 2024, quando havia 571.248 eleitores. São 6.286 eleitores a mais, expansão aproximada de 1,1%.

As mulheres são maioria: 296.729 eleitoras, correspondentes a 51% do total. Os homens representam aproximadamente 49%.

O Amapá permanece, entretanto, entre os menores colégios eleitorais do país. De acordo com dados do TSE Amapá, Roraima e Acre são os três menores eleitorados estaduais brasileiros.

São esses mais de meio milhão de eleitores que terão a responsabilidade de escolher governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais, além de participar da eleição presidencial.

A história começou em 1988

Durante décadas, o Amapá foi território federal e seus governadores eram nomeados.

A mudança veio com a Constituição Federal de 1988, que transformou Amapá e Roraima em estados. A partir daí, os amapaenses passaram a escolher diretamente o governador do novo estado.

A primeira eleição ocorreu em 1990. O vencedor foi Aníbal Barcelos, conhecido como Comandante Barcelos. Governador nomeado pelo governo militar no perído da ditadura ele foi o primeiro governador eleito do Amapá em 1990, assumindo em 1991 e permanecendo até 1995.

Nove eleições e cinco governadores eleitos

A sequência histórica permite dimensionar como o poder político do Amapá se reorganizou desde a estadualização.

1990 — Aníbal Barcelos: venceu a primeira eleição para governador após a transformação do Amapá em estado e governou de 1991 a 1994. Foi governador nomeado pela ditadura militar e o primeiro governador escolhido pelo voto direto nessa nova fase institucional.

Aníbal Barcelos:

1994 — João Alberto Capiberibe: venceu a segunda eleição estadual. No segundo turno, Capiberibe recebeu 69.907 votos, correspondentes a 54,86% dos válidos, contra 57.517 votos de Jonas Pinheiro Borges.

1998 — João Capiberibe: conquistou a reeleição e iniciou seu segundo mandato consecutivo. Deixou o governo em abril de 2002 para disputar o Senado, sendo sucedido pela vice, Dalva Figueiredo.

João Capiberibe

2002 — Waldez Góes: chegou pela primeira vez ao Palácio do Setentrião. No segundo turno derrotou Dalva Figueiredo, iniciando em janeiro de 2003 seu primeiro mandato. O próprio TSE registra historicamente que Waldez alcançou o governo em 2002.

2006 — Waldez Góes: foi reeleito. Recebeu 160.150 votos, ou 53,69% dos válidos, vencendo a disputa ainda no primeiro turno.

Waldez Góes

2010 — Camilo Capiberibe: interrompeu a sequência de Waldez e venceu a eleição para governador. O resultado de sua eleição é registrado oficialmente pelo TSE.

Camilo Capiberibe

2014 — Waldez Góes: retornou ao governo. Derrotou Camilo Capiberibe no segundo turno, iniciando seu terceiro mandato como governador.

2018 — Waldez Góes: conquistou sua quarta eleição para o Governo do Amapá. No segundo turno recebeu 191.741 votos, ou 52,35% dos válidos, contra 174.540 de João Capiberibe.

Waldez Góes

2022 — Clécio Luís: foi eleito governador em sua primeira disputa pelo cargo. O TSE registrou sua vitória ainda no primeiro turno. Clécio havia sido vereador e prefeito de Macapá por dois mandatos antes de chegar ao Executivo estadual.

Clécio Luís

Com isso, entre 1990 e 2022, o Amapá realizou nove eleições para governador. A de 2026 será a décima.

Waldez é quem mais venceu eleições para governador

A retrospectiva revela também a concentração de parte significativa da história eleitoral do estado em poucos nomes.

Waldez Góes venceu quatro eleições para governador: 2002, 2006, 2014 e 2018. O TSE confirma sua eleição inicial, a reeleição e posteriormente seu retorno ao cargo.

João Capiberibe venceu duas, em 1994 e 1998.

Aníbal Barcelos, Camilo Capiberibe e Clécio Luís venceram uma eleição cada.

Isso totaliza exatamente as nove eleições estaduais realizadas antes do pleito de 2026.

O número de eleições não deve ser confundido com o número de pessoas que exerceram o governo. Vice-governadores também assumiram o Executivo durante esse período — casos de Dalva Figueiredo, em 2002, e Pedro Paulo Dias, em 2010 —, mas eles não foram eleitos diretamente para o cargo de governador naqueles pleitos.

Em 2026, cinco candidatos estão na urna

A décima eleição estadual terá cinco candidatos ao Palácio do Setentrião: Carlos Cley (PSTU), Clécio Luís (União Brasil), Delegado Marcos (DC), Dr. Furlan (PSD) e Jairo Palheta (PCO). A Agência Brasil também confirma o total de cinco candidaturas e os 577.534 eleitores aptos.

Apesar do número de concorrentes, os levantamentos eleitorais publicados durante a campanha concentraram a disputa em dois nomes: Clécio e Furlan.

O cenário ficou ainda mais estreito na última pesquisa Quaest antes da votação.

Última Quaest mostra 53% a 47% nos votos válidos

Divulgada neste sábado (3), a pesquisa Quaest encomendada pela Rede Amazônica ouviu 1.800 eleitores presencialmente nos dias 2 e 3 de outubro.

Nos votos totais, Furlan registrou 50% e Clécio 45%. Brancos, nulos ou eleitores que disseram não votar representaram 4%, enquanto 1% permanecia indeciso.

Quando considerados apenas os votos válidos, utilizados pela Justiça Eleitoral para determinar o resultado, o levantamento apresentou 53% para Furlan e 47% para Clécio.

A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número AP-08084/2026.

Pesquisa eleitoral representa uma estimativa do momento em que as entrevistas são realizadas e não uma previsão do resultado das urnas.

Das urnas sairá o próximo capítulo

Neste domingo, a história eleitoral iniciada em 1990 chega, portanto, à sua décima disputa pelo Governo do Amapá.

De Aníbal Barcelos a Clécio Luís, passaram-se nove eleições e cinco governadores escolhidos diretamente para o cargo. Houve alternância de grupos políticos, reeleições, retornos ao poder e eleições decididas tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos neste domingo, a decisão será transferida para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Depois de uma campanha marcada principalmente pelo confronto entre Clécio Luís e Antônio Furlan, pesquisas, debates e disputas judiciais dão lugar ao único resultado definitivo de uma eleição: o voto depositado nas urnas.

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