Estado está entre os que reduziram a presença de mulheres no Legislativo estadual, mas 54,1% dos deputados eleitos se declaram não brancos

As eleições de 2026 produziram dois movimentos distintos na composição da próxima Assembleia Legislativa do Amapá (Alap): enquanto o estado registrou queda na participação feminina, permaneceu entre as poucas unidades da Federação onde a maioria dos deputados estaduais eleitos se declara não branca.
No levantamento sobre gênero, aparece entre os sete estados brasileiros onde a proporção de mulheres eleitas para as Assembleias Legislativas diminuiu em comparação com 2022.
Além do Amapá, tiveram redução Amazonas, Acre, Rondônia, Sergipe, Alagoas e Paraná. O movimento registrado no estado vai na direção contrária à tendência nacional.
Mulheres avançam no país, mas perdem espaço no Amapá
Em todo o Brasil, as eleições de 2026 estabeleceram um novo recorde de participação feminina nos Legislativos estaduais e do Distrito Federal.
Das 1.059 cadeiras em disputa, 218 serão ocupadas por mulheres, contra 191 eleitas em 2022. Com isso, elas passarão a representar aproximadamente 21% das vagas. Desde 2014, quando apenas 119 mulheres foram eleitas, a presença feminina vinha crescendo nacionalmente a cada eleição.
O Amapá, entretanto, não acompanhou essa expansão em 2026.
A redução ganha relevância porque o estado já teve posição de destaque nacional na participação feminina no Legislativo estadual. Estudo da Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao analisar as eleições de 2022, apontava o Amapá como o único estado que havia ultrapassado o patamar de 30% de mulheres entre os deputados estaduais, chegando a 33%.
Amapá se destaca pela diversidade racial
Se houve recuo na representação feminina, a composição racial coloca o Amapá em posição diferente no cenário nacional.
Segundo levantamento , 54,1% da bancada estadual eleita no Amapá é formada por parlamentares que se autodeclaram não brancos, categoria que reúne pardos, pretos, indígenas e amarelos.
O estado está entre apenas cinco unidades da Federação em que pelo menos metade dos deputados estaduais eleitos pertence a esses grupos.
Além do Amapá, aparecem nessa relação Acre, Rondônia, Tocantins e Amazonas. Entre eles, o Amazonas apresenta o maior percentual, com 62,6%. Tocantins registra 54,2%, praticamente o mesmo índice amapaense. Nos estados desse grupo, a maior presença é de parlamentares autodeclarados pardos.
O resultado do Amapá também contrasta com o movimento observado em boa parte do país. Em 14 estados, além do Distrito Federal, cresceu a proporção de parlamentares brancos eleitos para as Assembleias Legislativas.
Câmara dos Deputados fica mais branca
A mudança no perfil racial também ocorreu na Câmara dos Deputados. Pela primeira vez desde que o TSE começou a coletar informações raciais dos candidatos, em 2014, aumentou o número de deputados federais eleitos que se autodeclaram brancos.
Foram 374 parlamentares brancos eleitos em 2026, contra 366 em 2022. Eles representarão 72,9% das 513 cadeiras da Câmara. Os pardos caíram de 113 para 106 deputados, enquanto os pretos passaram de 26 para 29. A representação indígena também diminuiu, de quatro para três parlamentares.








