Estudo investiga como a população do Amapá preserva e reivindica suas origens no Marrocos, apesar das influências culturais e religiosas acumuladas ao longo dos séculos

O professor Mahfouz Ag Adnane, pesquisador visitante do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estuda a identidade cultural dos moradores de Mazagão Velho, distrito de Mazagão, no Amapá, cuja história está ligada à transferência de uma comunidade portuguesa que vivia no Marrocos no século XVIII.
Durante visita à região em julho deste ano, o pesquisador acompanhou a Festa de São Tiago, manifestação cultural e religiosa que encena uma batalha entre mouros e cristãos. A celebração é uma das expressões da memória histórica que conecta a comunidade amapaense ao norte da África.
A pesquisa busca compreender como os próprios moradores definem sua identidade. Segundo Adnane, a população demonstra orgulho de suas raízes marroquinas e africanas e procura reafirmar essa ancestralidade.
“Eles reivindicam uma ancestralidade marroquina, então, é isso que me interessa”, afirmou o professor.
Da fortaleza no Marrocos ao Amapá
A história remonta à presença portuguesa em Mazagão, atual El Jadida, no Marrocos. Portugal manteve uma fortaleza no local por cerca de dois séculos. No século XVIII, após a decisão de abandonar o território, a comunidade foi transferida para Lisboa e, posteriormente, para Belém, no Pará, antes de ser instalada na região onde hoje fica Mazagão Velho, em 1770.
O pesquisador investiga como essa trajetória histórica se reflete na identidade atual dos moradores, considerando elementos como a religiosidade cristã, as referências africanas e as tradições transmitidas entre gerações.
A Festa de São Tiago é um dos pontos centrais dessa análise. Embora a encenação represente a vitória dos cristãos sobre os mouros, a manifestação reúne referências históricas e religiosas que ajudam a compreender como a comunidade interpreta e preserva o próprio passado.
Adnane pretende retornar ao Amapá em novembro para dar continuidade ao trabalho. Os resultados da pesquisa devem ser apresentados à Unifesp até março de 2027, em artigos científicos ou livro.
Fonte: Agência de Notícais Brasil- Árabe
https://anba.com.br/pesquisador-estuda-comunidade-marroquina-do-amapa/








