Amapá registra 1% do desmatamento da Amazônia, enquanto Pará concentra 53%, aponta Imazon

Levantamento divulgado nesta quinta-feira (29) mostra que o Amapá teve 2 km² de floresta derrubada em setembro, contra 198 km² no Pará. Desmatamento na Amazônia cresceu 34% em relação ao mesmo mês de 2025.

Segundo o levantamento, realizado por meio de imagens de satélite, a Amazônia perdeu 374 quilômetros quadrados de cobertura florestal

O Amapá respondeu por apenas 1% do desmatamento registrado na Amazônia Legal em setembro de 2026, enquanto o vizinho Pará concentrou 53% de toda a área de floresta derrubada no mesmo período. Os dados fazem parte do boletim mensal do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Segundo o levantamento, realizado por meio de imagens de satélite, a Amazônia perdeu 374 quilômetros quadrados de cobertura florestal durante setembro. Desse total, 198 km² foram registrados no Pará, estado que liderou o desmatamento na região.

No Amapá, foram identificados 2 km² de floresta desmatada, o equivalente a aproximadamente 200 hectares.

Embora o boletim apresente a participação amapaense arredondada em 1%, a proporção calculada a partir da área total desmatada corresponde a aproximadamente 0,53%.

A diferença entre os dois estados é expressiva: a área desmatada no Pará foi 99 vezes maior que a registrada no Amapá durante setembro.

Os números colocam o Amapá entre os estados com menor área de desmatamento detectada no período, ao lado do Tocantins.

Pará lidera desmatamento e concentra mais da metade da destruição

O Pará apresentou o pior resultado entre os nove estados da Amazônia Legal, respondendo sozinho por mais da metade da área de floresta derrubada em setembro.

O Amazonas apareceu em segundo lugar, com 60 km² de desmatamento, representando 16% do total.

Na terceira posição ficou o Acre, com 48 km², equivalente a 13%, seguido por Mato Grosso, com 31 km², ou 8%.

Roraima registrou 15 km²; Rondônia e Maranhão tiveram 9 km² cada; enquanto Amapá e Tocantins contabilizaram 2 km² cada.

Participação dos estados no desmatamento da Amazônia em setembro de 2026:

EstadoÁrea desmatadaParticipação
Pará198 km²53%
Amazonas60 km²16%
Acre48 km²13%
Mato Grosso31 km²8%
Roraima15 km²4%
Rondônia9 km²2%
Maranhão9 km²2%
Amapá2 km²1%
Tocantins2 km²1%
Total374 km²100%

Fonte: Imazon/Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). Percentuais arredondados conforme o boletim.

Um município do Pará desmatou 11 vezes mais que todo o Amapá

Um dos dados mais expressivos do levantamento envolve o município de Portel, no Pará.

Somente em setembro, o município registrou 22 km² de desmatamento, área 11 vezes superior aos 2 km² identificados em todo o território amapaense.

Além de Portel, outros sete municípios paraenses aparecem entre os dez que mais desmataram a Amazônia no mês.

São eles: Pacajá, São Félix do Xingu, Altamira, Uruará, Anapu, Senador José Porfírio e Almeirim.

Juntos, esses oito municípios foram responsáveis por 91 km² de desmatamento, aproximadamente um quarto de toda a área de floresta derrubada na Amazônia em setembro.

Para o Imazon, os números demonstram a necessidade de fortalecer a fiscalização e integrar as ações de proteção ambiental entre municípios, estados e governo federal.

Preservação exige atenção permanente

O resultado registrado pelo Amapá evidencia uma participação relativamente pequena do estado na área total de desmatamento detectada na Amazônia durante setembro.

Entretanto, os dados precisam ser interpretados considerando as características territoriais e ambientais de cada estado.

O Amapá possui uma das maiores proporções de áreas legalmente protegidas do Brasil, com extensas unidades de conservação e terras indígenas.

Essas características são relevantes para compreender o contexto ambiental amapaense, embora o levantamento mensal do Imazon não permita atribuir diretamente o baixo índice de desmatamento a uma política pública específica.

Também é importante observar que os números divulgados correspondem exclusivamente ao mês de setembro.

Portanto, o resultado não significa ausência de desmatamento no estado, tampouco permite concluir, isoladamente, que houve redução em relação a períodos anteriores.

Para avaliar a evolução da situação ambiental do Amapá, é necessário considerar séries históricas e indicadores que permitam comparar a área desmatada ao longo dos anos.

Desmatamento na Amazônia cresceu 34% em setembro

Apesar de setembro de 2026 apresentar o segundo menor índice de desmatamento para esse mês nos últimos oito anos, o levantamento identificou aumento em relação ao ano anterior.

Em setembro de 2025, foram registrados 279 km² de floresta derrubada.

No mesmo mês de 2026, a área subiu para 374 km², representando crescimento de 34%.

No acumulado de janeiro a setembro, o desmatamento também aumentou, embora em proporção menor.

Segundo o Imazon, a área desmatada nos primeiros nove meses de 2026 foi 6% superior à registrada no mesmo período de 2025.

Ainda assim, o acumulado deste ano corresponde ao segundo menor resultado dos últimos oito anos, ficando acima apenas do registrado em 2025.

Degradação florestal também aumentou

Além do desmatamento, o Imazon monitora a degradação florestal, fenômeno associado principalmente a queimadas e exploração madeireira.

Diferentemente do desmatamento, que envolve a remoção da cobertura florestal, a degradação corresponde a danos que comprometem a estrutura e as condições ambientais da floresta, mesmo quando parte da vegetação permanece.

Em setembro de 2026, a Amazônia registrou 1.239 km² de florestas degradadas.

No mesmo período de 2025, haviam sido identificados 1.022 km², o que representa crescimento de 21%.

No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, houve redução de 46% na área degradada, que passou de 3.766 km² em 2025 para 2.018 km² em 2026.

O boletim identificou degradação florestal em cinco estados: Pará, Mato Grosso, Amazonas, Rondônia e Roraima.

O Amapá não aparece entre os estados com degradação detectada no levantamento referente a setembro.

Áreas protegidas

Outro dado preocupante apresentado pelo Imazon envolve o desmatamento dentro de áreas destinadas à conservação ambiental.

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, registrou 15 km² de desmatamento em setembro, tornando-se a unidade de conservação com maior área devastada na Amazônia naquele mês.

O levantamento também identificou que 58% do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse.

Outros 27% foram registrados em assentamentos, 12% em unidades de conservação e 3% em terras indígenas.

Os dados demonstram que a destruição da floresta atinge diferentes categorias territoriais, incluindo espaços submetidos a regimes especiais de proteção.

Diferença entre Amapá e Pará evidencia contrastes na Amazônia

Os resultados do Imazon revelam realidades bastante distintas entre dois estados vizinhos da Região Norte.

Enquanto o Pará concentrou 53% da área desmatada na Amazônia durante setembro, o Amapá respondeu por apenas 1%, conforme os percentuais arredondados apresentados pelo instituto.

A diferença de 196 km² entre os dois estados demonstra a concentração territorial do desmatamento registrado no período.

Entretanto, a comparação não permite estabelecer, por si só, quais políticas ambientais foram mais eficientes, uma vez que os estados apresentam dimensões territoriais, atividades econômicas e padrões de ocupação diferentes.

O desafio para o Amapá é manter a proteção de suas florestas e evitar o avanço de atividades que provoquem perda de cobertura vegetal, especialmente diante das pressões econômicas e das mudanças no uso do território amazônico.

Os dados também reforçam a importância do monitoramento contínuo por satélite, da fiscalização ambiental e da preservação das áreas protegidas.

O levantamento confirma que o Amapá teve uma das menores áreas de desmatamento da Amazônia em setembro, enquanto o Pará permaneceu como principal responsável pela derrubada de florestas no período.

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