Levantamento do Ministério da Saúde revela que 74,5% dos adultos monitorados na atenção básica do estado apresentam sobrepeso ou obesidade

O Amapá ocupa a segunda posição no ranking nacional de excesso de peso entre adultos acompanhados pela rede de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, 74,5% dos adultos monitorados no estado apresentam sobrepeso ou obesidade, percentual superior à média nacional de 71,5%.
Os dados revelam um crescimento de 259% no número de brasileiros com obesidade acompanhados pelo SUS nos últimos dez anos.
No levantamento nacional, o Amapá aparece atrás apenas do Rio Grande do Norte, onde 75,5% dos adultos acompanhados apresentam excesso de peso. São Paulo ocupa a terceira posição, com 74,3%.
O resultado coloca o Amapá entre os estados com os indicadores mais elevados do país e chama a atenção para a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade.
Três em cada quatro adultos acompanhados no Amapá estão acima do peso
O percentual registrado no Amapá significa que, de cada 100 adultos com informações nutricionais registradas no Sisvan, aproximadamente 75 apresentam peso acima do considerado adequado.
O indicador reúne duas condições distintas: sobrepeso e obesidade. O sobrepeso corresponde ao Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 e 29,9, enquanto a obesidade é caracterizada por IMC igual ou superior a 30.
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica e multifatorial, associada a fatores genéticos, metabólicos, ambientais, alimentares e comportamentais.
É importante observar que os percentuais do Sisvan se referem à população adulta acompanhada pela atenção primária do SUS, e não representam necessariamente a prevalência de excesso de peso entre todos os moradores do Amapá.
Ainda assim, os resultados constituem um indicador relevante para o planejamento das políticas públicas de saúde, especialmente na prevenção de doenças crônicas.
Obesidade cresce 259% em dez anos no Brasil
O levantamento nacional revela uma mudança significativa no perfil nutricional dos brasileiros atendidos pelo SUS.
Em 2016, aproximadamente 3,09 milhões de adultos acompanhados pelo Sisvan apresentavam obesidade. Em 2026, esse número chegou a 11,12 milhões, representando crescimento de 259%.
No mesmo período, os registros de sobrepeso passaram de 4,19 milhões para 10,76 milhões, aumento de 156,8%.
Somadas, as duas condições atingem 21,88 milhões de adultos acompanhados pela atenção básica, o equivalente a 71,5% desse público.
Pela primeira vez na série analisada, o número de pessoas com obesidade ultrapassou o de indivíduos classificados com sobrepeso.
A proporção nacional de adultos com obesidade também aumentou, passando de 25,1% em 2016 para 36,4% em 2026.
Outro dado preocupante é que, em 24 das 27 unidades da Federação, o número de adultos com obesidade acompanhados pelo sistema já supera o de pessoas com peso considerado adequado.
Excesso de peso aumenta riscos de doenças crônicas
O avanço da obesidade representa um desafio para o sistema público de saúde, principalmente por sua associação com doenças que exigem acompanhamento e tratamento prolongados.
Entre os problemas relacionados ao excesso de peso estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e determinados tipos de câncer.
Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a obesidade está associada a mais de 240 doenças e complicações de saúde, além de contribuir para a redução da expectativa de vida.
Para o Amapá, os indicadores reforçam a importância de políticas de prevenção e acompanhamento nas unidades básicas de saúde, especialmente diante da elevada proporção de pacientes com excesso de peso identificada pelo Sisvan.
SUS enfrenta dificuldades para oferecer tratamento
Além do crescimento dos indicadores, o levantamento evidencia dificuldades estruturais do SUS para atender pacientes com obesidade.
O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), aponta a insuficiência de medicamentos, a necessidade de maior capacitação dos profissionais e a ausência de protocolos clínicos abrangentes como obstáculos ao tratamento.
Outro problema identificado é a desigualdade no acesso à cirurgia bariátrica, procedimento indicado para determinados casos de obesidade, conforme critérios clínicos.
Mesmo entre os pacientes submetidos à cirurgia, há dificuldades relacionadas ao acompanhamento pós-operatório e ao fornecimento de suplementos necessários à recuperação e à manutenção da saúde.
Os especialistas defendem que o enfrentamento da obesidade exige ações simultâneas de prevenção e tratamento, incluindo incentivo à alimentação saudável, redução do consumo de produtos ultraprocessados e ampliação da assistência especializada.
Indicadores colocam saúde pública do Amapá em alerta
Com 74,5% dos adultos acompanhados pelo Sisvan apresentando excesso de peso, o Amapá registra um percentual três pontos acima da média brasileira.
O resultado evidencia a necessidade de atenção ao problema nas políticas de saúde pública, desde o acompanhamento nutricional nas unidades básicas até o atendimento especializado aos pacientes com obesidade.
Os dados divulgados não permitem identificar quantos adultos apresentam obesidade especificamente no Amapá, nem estabelecer a evolução desse indicador no estado durante os últimos dez anos.
Também não demonstram, isoladamente, quais fatores explicam o elevado percentual registrado entre os pacientes acompanhados pela rede pública amapaense.
Apesar dessas limitações, o levantamento oferece um alerta importante: o excesso de peso atinge aproximadamente três em cada quatro adultos monitorados pela atenção básica do SUS no Amapá, colocando o estado entre os três com os maiores percentuais do Brasil.








