
De acordo com o Ministério Público do Amapá (MP-AP), o golpista é morador de Planaltina (GO), e conseguiu convencer uma mulher do bairro São Lázaro, zona Norte de Macapá, a fazer uma transferência em dinheiro para a conta dele. A relação com Júnior Locrich Tokam Souop começou pela rede social Facebook e depois passou para o Whatsapp.
Pela rede social, a mulher começou a interagir com Donald Smith, que dizia ser da Síria e estava ligado aos grupos de orações. Foram oito meses falando com a vítima para ganhar confiança e só então aplicar o golpe. Nesse período, Donald mandava bom dia, fotos da família e mensagens motivacionais. “Fui burra de ter caído no papo dele” disse a vítima à polícia”
Em uma das conversas, Donald prometeu enviar para vítima uma caixa contendo aproximadamente R$ 200 mil e outros valores em dólares, mas seria necessário que ela pagasse os impostos à Receita Federal. O golpista indicou que um outro homem chamado Glayton entraria em contato com a vítima para dar esclarecimentos.
No dia combinado, Glayton entrou em contato com a mulher dizendo que estava em uma área restrita do aeroporto de Guarulhos com o dinheiro e solicitou que ela fizesse o pagamento de R$ 3,5 mil via pix para que fosse possível a liberação. Acreditando na história, ela emprestou dinheiro de um amigo para fazer a transferência.
No dia seguinte, o homem voltou entrar em contato com a vítima, exigindo que ela fizesse uma nova transferência, agora no valor de R$ 6 mil, explicando que ela corria o risco de ser presa por lavagem de dinheiro e que a única forma dela evitar a prisão seria fazendo o pagamento.
Assustada e já percebendo o golpe, a vítima resolveu procurar a polícia. As investigações indicaram que o dinheiro foi parar na conta de Junior Locrich Tokam Souop, um camaronês com nacionalidade brasileira que mora em Planaltina (GO).
Ele disse à polícia que teria emprestado a sua conta bancária para um amigo receber um dinheiro, garantiu que o amigo sumiu e que sua conta foi bloqueada pelo bancado sem saber o motivo. Mas a polícia não acreditou na história e o indiciou por estelionato eletrônico.
Durante as investigações, a polícia encontrou outros casos, em outros estados, envolvendo o mesmo golpista. Ele usava o mesmo procedimento para enganava as pessoas.
Ao julgar o caso, a juíza Alana Coelho Pedrosa, da 5ª Vara Criminal de Macapá, considerou que “As circunstâncias do crime são desfavoráveis, considerando o aproveitamento da vulnerabilidade emocional da vítima e a sofisticação do esquema fraudulento. As consequências mostram-se graves, não apenas pelo dano patrimonial causado, mas também pelo abalo emocional e social experimentado pela vítima”.
Ela condenou Junior Locrich Tokam Souop a pena de quatro anos e seis meses de reclusão, a ser cumprida em regime inicial semiaberto, pagamento de multa e devolução do dinheiro à vítima.
A defesa de Junior Locrich já recorreu da decisão.








