Uma intervenção irregular no Igarapé das Mulheres, localizado no Bairro Perpétuo Socorro, em Macapá, vem gerando indignação entre moradores e ambientalistas. O local, considerado um dos espaços históricos da formação da capital amapaense, está recebendo um aterro com restos de calçamento que altera a paisagem e ameaça o ecossistema aquático.
Moradores relatam que a obra estaria sendo executada pela Prefeitura de Macapá, embora não haja placa de identificação nem informações oficiais sobre autorização ambiental. O aterro, construído próximo ao mercado de peixe, liga uma rampa de concreto à outra margem do igarapé, criando o aspecto de uma via improvisada.
Nas redes sociais moradores de macapá vêem criticando o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), pelo que chamam de mais uma obra eleitoreira.
“Bastou o governo entregar o novo porto para os barcos (Terminal Hidroviário) para o prefeito aparecer com esse aterro” desbafa um comerciante do mercado do peixe.
Revolta da comunidade
“É simplesmente um absurdo o que estão fazendo contra o rio Amazonas e essa área da cidade. É revoltante ver esse aterro ocorrendo e ninguém se manifestar”, declarou o professor Adelson do Carmo, morador da região.
Para a dona de casa Rosiane Souza, a obra não tem justificativa: “Não sei quem é o responsável por isso, mas seja quem for cometeu um crime ambiental. Não tinha necessidade desse aterro. A prioridade deveria ser a recuperação das ruas esburacadas da cidade, não destruir nosso igarapé.”

O servidor público Francisco Oliveira, que vive há 40 anos às margens do Perpétuo Socorro, lamenta o que chama de “apagamento da memória de Macapá”: “O Igarapé das Mulheres faz parte da história da cidade. Aqui era ponto de encontro das primeiras famílias ribeirinhas. Estão acabando com um pedaço da nossa origem.”
Possível crime ambiental
Especialistas apontam que a obra pode configurar dano ambiental, já que o aterro modifica o curso natural das águas e compromete o equilíbrio da fauna e flora local. “Quando se bloqueia um igarapé dessa forma, há perda de biodiversidade e risco de contaminação da água. É um impacto grave que precisa ser avaliado por órgãos ambientais”, alerta um servidor da prefeitura que pediu para não ser identificado.
Ministério Público é acionado

Responsável por fiscalizar os impactos ambientais desse tipo de obra o Ministério Público do Estado não se pronunciou sobre a obra..A reportagem entrou em contato com o Ministério Público do Amapá (MP-AP) para confirmar se houve consulta ou autorização para a obra. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.
Para os moradores, mais do que uma questão ambiental, trata-se da preservação de um patrimônio cultural ligado às raízes de Macapá.
“Quem destrói o igarapé destrói a história da nossa cidade”, resume emocionado Adelson do Carmo.








