Pacientes denunciam falta de insulina em postos de saúde de Macapá

Sem a insulina, pacientes precisam racionar doses, adiar aplicações ou pagar no varejo, o que pesa no orçamento doméstico e aumenta o risco de descompensação glicêmica

Pacientes diabéticos denunciam desabastecimento de insulina há mais de um mês nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Macapá. Sem previsão de normalização, famílias relatam busca frustrada por frascos em diferentes postos e angústia diante do risco de interrupção do tratamento.

A moradora Graça Araújo afirma que percorre a UBS Álvaro Corrêa (zona norte) “há mais de um mês” e recebe sempre a mesma informação: não há medicamento. “Somos vários pacientes na mesma situação. Estamos tentando de todas as formas buscar em outros postos, já que o mais próximo, o Marcelo Cândia (Jardim Felicidade I), está em reforma. Todas as tentativas têm sido em vão”, relata.

Rosiane Wanseler, que retira a medicação para o cunhado, diz que há três semanas procura as unidades sem sucesso. “A resposta é sempre que não tem”, afirma.

Posto de saúde Álvaro Corrêa na zona norte de Macapá

O que se sabe até agora

A insulina é fornecida pelo governo federal e distribuída pelo município. Segundo os pacientes, a Prefeitura de Macapá ainda não informou prazos para a regularização.

Ao menos duas UBSs citadas (Álvaro Corrêa e Marcelo Cândia) não estão entregando a medicação aos usuários. Em razão da obras no Marcelo Cândia a farmácia de entrega e a mesma do Álvaro Corrêa.

Risco clínico e falha de política pública

Um médico ouvido pela reportagem classifica o desabastecimento como falha grave na política de assistência farmacêutica. “Para milhares de pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2, a falta de insulina significa risco real de morte, agravamento de quadros clínicos e perda de autonomia”, alerta.

A insulina integra a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) — conforme a Portaria GM/MS nº 2.981/2022 — e sua dispensação é garantida pelo SUS. Mesmo assim, usuários relatam que a escassez se tornou crônica, gerando judicialização, pressão extra sobre urgências e, em casos extremos, importação por vias alternativas como medida emergencial.

Especialistas apontam processos de compra lentos e fragmentados, burocracia, ausência de estoques reguladores e falta de coordenação entre União, estados e municípios como causas do descompasso entre demanda e fornecimento.

Impacto nas famílias

Sem a insulina, pacientes precisam racionar doses, adiar aplicações ou pagar no varejo, o que pesa no orçamento doméstico e aumenta o risco de descompensação glicêmica — com potencial de internações por hiperglicemia e cetoacidose.

Serviço ao leitor

  • Orientação médica: não interrompa o tratamento por conta própria; procure a UBS de referência para atualização de cadastro e orientação de substituição terapêutica (se houver).
  • Canais de reclamação: é possível registrar queixa na Ouvidoria do SUS (136), na Ouvidoria Municipal e no Ministério Público quando houver risco de desassistência.
  • Judicialização: em casos urgentes, a Defensoria Pública pode orientar sobre medidas judiciais para garantir o acesso ao medicamento.

A reportagem permanece à disposição para publicar posicionamento oficial da Prefeitura e datas de normalização do fornecimento.

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