Vídeo: Lula quer servir vinho de açaí, produzido no Amapá, na COP 30 em Belém

Presidente anuncia que pretende apresentar aos líderes mundiais o fermentado amazônico produzido por João e Janete Capiberibe, com apoio da Embrapa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que pretende oferecer aos chefes de Estado e delegações internacionais que participarão da COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o vinho de açaí e de cupuaçu produzido no Amapá. O evento será realizado em Belém (PA), em 2026, e deve reunir líderes de todo o mundo para discutir políticas climáticas e sustentabilidade.

Em entrevista à Rede Amazônica de Televisão, Lula revelou que já solicitou à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) uma amostra da bebida. O fermentado é resultado de uma iniciativa do ex-governador do Amapá, João Alberto Capiberibe, e de sua esposa, ex-deputada federal Janete Capiberibe, fundadores da vinícola Flor de Samaúma, sediada em Macapá.

Amazônia em taça: inovação e identidade regional

O vinho de açaí — assim denominado por sua aparência e processo de fermentação — é produzido a partir da polpa da fruta símbolo da Amazônia e já vem sendo comercializado localmente e exportado para outros estados. A Embrapa Agroindústria Tropical tem dado apoio técnico à iniciativa, com aperfeiçoamento dos processos e oficinas voltadas à disseminação da tecnologia, como a realizada recentemente com produtores de Afuá (PA).

Durante a 54ª Expofeira Agropecuária do Amapá, a bebida foi apresentada oficialmente, despertando curiosidade e elogios de especialistas. O chefe-geral da Embrapa, Gustavo Saavedra, destacou que o fermentado de açaí, especialmente o rótulo Curiaú, “surpreendeu os provadores” e tem grande potencial mercadológico, desde que passe por ajustes tecnológicos e de identidade.

“O principal desafio é criar uma marca que traduza o que é o produto para o grande público consumidor, já que a denominação vinho é exclusiva para a uva”, explicou Saavedra.

Economia sustentável e protagonismo amapaense

Para Capiberibe, o projeto é um exemplo de economia sustentável e inovação amazônica. Ele conta que a ideia surgiu após receber de presente uma garrafa de fermentado produzido no Acre. “Fiquei impressionado com o sabor e resolvi desenvolver uma receita própria, pois percebi tratar-se de um produto que se encaixa na nossa concepção de economia para o crescimento sustentável da Amazônia”, afirmou.

Um ano depois, a Flor de Samaúma lançou quatro rótulos diferentes da bebida — entre eles o Curiaú e o Samaumeira —, elaborados com polpas de açaí e cupuaçu, ambos ícones da biodiversidade amapaense.

“O açaí já ganhou o mercado mundial. Os produtos dessa matéria-prima feitos na vinícola tendem a seguir o mesmo caminho e podem contribuir fortemente com a economia local, gerando emprego e renda com sustentabilidade”, ressaltou Capiberibe.

Vitrine global da Amazônia

Ao anunciar o vinho de açaí como símbolo da Amazônia durante a COP 30, o presidente Lula reforça o objetivo de valorizar os produtos e saberes regionais na vitrine mundial do clima. A proposta une inovação tecnológica, biodiversidade e inclusão econômica, projetando o Amapá como referência na bioeconomia amazônica.

Se confirmada, a degustação do vinho amapaense em Belém poderá se tornar um dos símbolos da presença amazônica na diplomacia climática global, levando à mesa dos líderes mundiais o sabor e a força da floresta.

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