Famílias denunciam revenda ilegal de túmulos e furtos no cemitério de São José, em Macapá


Práticas incluem troca de nomes em registros, cobranças irregulares e comércio de peças de bronze e mármore; Prefeitura ainda não se manifestou

A poucos dias da celebração do Dia de Finados, o Cemitério de São José, o maior da capital amapaense, virou alvo de denúncias graves feitas por famílias e trabalhadores que atuam no local. Segundo relatos obtidos pelo ConectAmapá, túmulos já pagos e registrados estão sendo revendidos a outras pessoas, com troca de nomes nos registros oficiais do cemitério, que é administrado pela Prefeitura de Macapá.

De acordo com uma das vítimas, a aposentada H. Nobre, o problema foi descoberto durante uma visita de rotina.

“Ao chegar no túmulo, tinha o nome de outra pessoa que não conhecíamos. Procurei a direção do cemitério levando o comprovante de aquisição e, ao abrir o livro, tinha outro nome. Fui informada que seria trocado e estava resolvido. Um absurdo!”, desabafou.

Túmulos revendidos e registros adulterados

As denúncias apontam que funcionários ligados à administração estariam apagando nomes de proprietários originais e inserindo novos nos livros de controle de sepulturas. As famílias afirmam que as alterações são feitas sem comunicação prévia e sem justificativa formal.

Trabalhadores autônomos que prestam serviços no local e pediram anonimato afirmam que as irregularidades ocorrem há meses e que há envolvimento de servidores e terceirizados.

“Tudo lá é cobrado. Até para abrir um túmulo ou cavar uma sepultura, o pagamento é feito diretamente ao pessoal da administração. Eles recebem, mas ninguém sabe se esse dinheiro é repassado para a Prefeitura”, revelou um dos trabalhadores.

Furtos e comércio de materiais

As irregularidades não param por aí. Familiares também denunciaram o roubo sistemático de peças de bronze, ferro e mármore utilizadas na ornamentação dos jazigos. Os materiais, segundo as vítimas, são retirados durante a noite e revendidos no comércio informal de sucata.

“Arrumar os túmulos com mármore ou bronze é jogar dinheiro fora. O estranho é que nem a direção nem os vigilantes do cemitério sabem dizer o que aconteceu”, afirmou uma dona de casa que realizava a limpeza do túmulo da família.

Falta de fiscalização e resposta da Prefeitura

A equipe do ConectAmapá tentou contato com a servidora Francisca Ramos, apontada como responsável pela administração do cemitério, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

As denúncias levantam questionamentos sobre a fiscalização da Prefeitura de Macapá, responsável pela gestão do espaço público. Moradores cobram uma investigação urgente para apurar revendas ilegais, cobranças indevidas e furtos, além da regularização dos registros e transparência na administração dos cemitérios municipais.

Com a proximidade do Dia de Finados (2 de novembro), famílias temem que os casos se multipliquem e pedem ações imediatas do poder público para garantir respeito à memória dos mortos e segurança aos visitantes.

“Queremos apenas o direito de visitar nossos familiares em paz, sem precisar lidar com esse tipo de desrespeito”, resume a aposentada H. Nobre.

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