Estado comemora retomada de projetos em outras áreas, como ferro, ouro e celulose. De acordo o presidente da Agência de Desenvolvimento, várias oportunidades profissionais serão abertas no Estado

Relegado ao posto de território até 1988, o Amapá ganhou holofotes recentemente com o início da exploração da Margem Equatorial brasileira, mas, de acordo com o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, o Estado também vem comemorando a retomada de projetos em outras áreas, como mineração e celulose, e tem tudo para deixar de ser, nos próximos anos, o Estado com o terceiro pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País.
Se o petróleo for encontrado pela Petrobras nos reservatórios da bacia da Foz do Amazonas, em frente ao Oiapoque, será a cereja do bolo de uma série de iniciativas em andamento. Segundo Wandenberg , a alta do preço do ouro animou a volta da exploração do mineral pela Tucano Gold, na mina de Tucano, também rica em minério de ferro e manganês.
FERRO E CELULOSE
Ao mesmo tempo, a DEV Mineração assumiu a mina de minério de ferro que já foi da MMX e depois da Anglo, o Projeto Ferro Amapá, e até mesmo o projeto Jari Celulose deve voltar a produzir.

“E isso tudo ao mesmo tempo. Hoje o nosso maior desafio é de fato ter um plano diretor pro Oiapoque, um município de 30 mil habitantes que está numa região onde a parte territorial utilizada é de só 3%, que tem quilombolas, povos originários e indígenas”, disse o executivo sobre o município que virou base da Petrobras.
POLÍTICA PÚLICA
A formação de mão de obra e a atração de empresas do setor de petróleo estão no topo da lista da agência, que já conseguiu avanços como levar o Repetro para o Estado, a exemplo do que já acontece no Rio de Janeiro, um regime aduaneiro especial para importação de plataformas de petróleo.
“A gente começou a construir já a base tributária de incentivos fiscais para receber essas empresas. Como o Repetro, por exemplo, que é uma base de incentivo para as empresas da cadeia com uma redução tributária como incentivo, e já está publicado. Agora é olhar para capacitação, infraestrutura e os resultados da exploração, que deve ser até março”, afirmou.
Depois de 11 anos de espera, a Petrobras iniciou a perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em frente ao Oiapoque, e mais três estão previstos para serem perfurados até março.
A região é a maior aposta da estatal na busca de petróleo e gás natural para recompor suas reservas. O otimismo de uma descoberta leva em conta os reservatórios gigantes que já vêm sendo explorados pelos países vizinhos, Guiana e Suriname, e pelas estimativas de volume já divulgadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de 10 bilhões de barris, e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de 30 bilhões de barris.
O estudo do município fluminense
De acordo com Wandenberg, para desenvolver essas reservas o Estado tem estudado o caso de Maricá, município do Rio de Janeiro recordista na arrecadação de royalties e participações especiais. Ele quer levar para o Amapá o dinamismo que hoje o município tem para gerir os recursos de petróleo.
“Hoje Maricá tem uma estrutura bilionária de orçamento. Eles inclusive têm liberdade para construir hotéis, para fazer hospitais, usando parte do recurso dos royalties para isso. Eu saí de Maricá impressionado com essa liberdade de gestão de recursos. Obviamente que tudo acompanhado pelo Tribunal de Contas e tal, e aí você vê o dinheiro indo para a ponta literalmente, que é o que eu vislumbro que a gente consegue fazer”, disse.
PERSPECTIVAS
Além disso, Wandenberg vê a possibilidade de utilizar áreas de livre-comércio da capital Macapá e do município de Santana, este com um porto na rota Brasil-China, um pouco abaixo da base da Petrobras, no Oiapoque, mas que pode receber a cadeia de fornecedores do setor.

O porto de Macapá, porém, é pequeno para receber as operações offshore “que são extensas e grandiosas”, e por isso o Estado está organizando áreas próximas ao porto ou áreas conexas para receber a cadeia de fornecedores.
O executivo destacou ainda, que várias oportunidades profissionais serão abertas no Estado — onde 50% da população de cerca de 800 mil pessoas é composta de servidores públicos. Para levar conhecimento ao Estado, ele vem costurando projetos com o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) e com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“Agora é o momento de mostrar para a camada mais jovem da população que eles precisam se capacitar. Um moço de convés (nível inicial da Marinha Mercante) tem remuneração de R$ 7 mil a R$ 8 mil, inicial. Agora imagina isso na realidade do Oiapoque, que é uma cidade desse tamanho e que não tinha nenhuma oportunidade. Isso muda uma geração”, diz.
Fonte: Estadão








