
Uma subestação de energia em Marituba, no Pará, foi alvo de ameaça feita por traficantes do Comando Vermelho (CV) na última quinta-feira. Ao denunciar, no mesmo dia, o caso ao governo federal, a concessionária de energia Verene cita riscos associados à realização da COP30, na capital Belém. Embora a conferência do clima só comece na próxima segunda-feira, teve início nesta quinta-feira (6) a cúpula de líderes que antecede o evento, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de dezenas de chefes de Estado.
No “comunicado urgente” obtido pelo GLOBO, endereçado a diferentes autoridades do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Polícia Federal (PF), a empresa relata que a abordagem dos criminosos da facção fluminense ocorreu junto a funcionários da Belém Transmissora de Energia S.A. Na ocasião, um homem que se identificou como membro da facção exigiu a suspensão imediata de obras de expansão da subestação e a interrupção diária das operações no local a partir de 15h.
“Este fato demonstra um risco iminente e ativo não apenas à segurança dos colaboradores e ao patrimônio, mas à própria continuidade de um serviço público essencial, agravado pela proximidade da COP30”, pontua o documento.
O texto afirma ainda que um consórcio responsável por obras em uma rodovia adjacente à linha de transmissão também recebeu as mesmas ameaças. O grupo teria, inclusive, optado por suspender as obras na saída de Marituba após o episódio. Questionada pelo GLOBO, a Verene Energia, dona da Belém Transmissora, não se manifestou.
“Diante do exposto, e considerando a gravíssima escalada das ameaças — partindo agora de uma facção criminosa notória e com poder de paralisar outras obras na região —, solicitamos o renovado apoio deste ministério no acionamento das forças de segurança competentes, a fim de investigar e fazer cessar os atos ilegais que atentam contra a segurança da subestação”, pede a empresa no próprio documento. “A segurança desta instalação é vital para o sucesso do evento internacional (COP30) e para a segurança energética da população”, conclui a concessionária.
Após o recebimento da denúncia, o Ministério de Minas e Energia acionou a pasta da Justiça e Segurança Pública, como consta em ofício também obtido pelo GLOBO. “O agente informou sobre o impedimento de acesso das equipes de operação à Subestação Marituba, a partir das 15 horas, o que poderá ocasionar, em caso de ocorrências, um prejuízo à célere recomposição das cargas da região metropolitana de Belém’, destaca o documento, assinado pelo ministro Alexandre Silveira e endereçado nominalmente ao também ministro Ricardo Lewandowski.
No texto, Silveira frisa que, “diante da recorrência de casos” e da “intensificação de ataques criminosos em ativos do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB)”, bem como da proximidade da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que está programada para ocorrer em novembro de 2025″, era preciso solicitar ao colega “que avalie, dentro de suas competências, a disponibilização de equipe técnica especializada para contribuir com meios de coibir as ações criminosas”. O documento informa que o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) e o governo estadual do Pará também foram comunicados “do assunto em pauta”.
Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Justiça confirmou as denúncias e afirmou que, por meio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), “elaborou um relatório de inteligência”, na última segunda-feira, e enviou para PF, GSI, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e as forças de segurança do Pará. A nota diz que, “tão logo tomou conhecimento dos fatos”, a pasta “iniciou imediatamente a apuração e o devido encaminhamento aos órgão competentes”.
A pasta ressalta que a empresa administradora do contrato da Subestação Belém-Marituba, Verene Energia S.A., encaminhou informações relatando atos de coação e ameaças de ataques às obras de implantação de reforço da Subestação 500/230 kV Marituba, localizada no estado do Pará (PA). Essa instalação é considerada infraestrutura crítica do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Também contatada pela reportagem, a PF informou apenas que “iria verificar” o relato, mas não houve mais retorno. O Ministério de Minas e Energia também não se manifestou.








