Artigo / CEA: da má gestão à privatização – e a conta que ficou para o povo

A crise da CEA não começou na privatização. Ela é resultado de uma sequência de decisões equivocadas ao longo do tempo

Por José Ramalho de Oliveira*

Quando o governo do PSB assumiu em 2011, encontrou a empresa com uma dívida superior a R$ 2,5 bilhões, acumulada principalmente entre 2003 e 2010. Antes disso, uma oportunidade decisiva havia sido perdida: a recusa de um acordo da Eletronorte que permitiria congelar e parcelar a dívida em condições extremamente favoráveis, desde que houvesse gestão eficiente e pagamento em dia da energia.

Diante do risco de colapso, foi feito um esforço de recuperação:

• a dívida foi reduzida para cerca de R$ 1,14 bilhão,

• implantou-se a gestão compartilhada com a Eletrobrás,

• avançou-se no processo de federalização,

• e foram realizados investimentos em subestações, rede e integração ao sistema nacional.

A empresa estava sendo saneada.

Mas em 2015, com a mudança de governo, esse processo foi interrompido.

Em 2017, um passo decisivo foi dado:

o governador Waldez Góes propôs a privatização da CEA, projeto aprovado pela Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), com a defesa ativa de várias lideranças que hoje fingem defender a empresa.

A partir daí, a companhia voltou ao caminho da instabilidade, foi sendo enfraquecida e acabou privatizada.

O resultado está na conta de luz. Hoje, o Amapá tem uma das energias mais caras do país. Pesa no orçamento das famílias, encarece a produção local e limita o desenvolvimento

Conclusão

A privatização não foi inevitável. Ela foi construída por escolhas:

• recusa de soluções no passado

• descontinuidade de um processo de recuperação

• decisão política de privatizar

No fim, quem paga essa conta todos os meses é o povo do Amapá.

José Ramalho de Oliveira*

Diretor-Presidente da CEA entre Jan/2011 à Nov/2013

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