
Os preços exorbitantes da hospedagem em Belém durante a COP30 ganharam contornos de crise diplomática na reunião preparatória da conferência que acontece em Bonn, na Alemanha, e um problema adicional para a presidência brasileira da conferência – além das negociações em um momento chave da cooperação climática global.
A menos de cinco meses do encontro, delegações oficiais não têm hospedagem e, enquanto algumas dizem que podem ser obrigadas a enviar equipes reduzidas, outras chegam a ameaçar com sua ausência completa. Outra dúvida paira sobre a cúpula de chefes de Estado, que, embora já tenha sido antecipada em alguns dias para tentar driblar o problema logístico da capital paraense, até agora não teve os convites oficiais enviados.
Os brasileiros apresentaram na quinta-feira da semana passada os planos logísticos da cúpula, que começa em 10 de novembro. Mas os questionamentos mais incisivos foram feitos atrás de portas fechadas. Numa reunião do G77, um bloco que negocia em conjunto e reúne mais de 134 países em desenvolvimento e emergentes, incluindo o Brasil, delegados afirmaram que os valores cobrados por quartos de hotel e locações temporárias podem inviabilizar a presença de seus países na COP30.
Um representante de Belize, na América Central, afirmou que os preços estão impossibilitando a presença dos negociadores do país em Belém. A delegação das Maldivas, uma ilha no Oceano Índico que em três décadas pode estar quase totalmente submersa por causa da mudança do clima, pediu urgência na clareza sobre os custos.
Muitos desses países enviam equipes reduzidas para as COPs e dependem de ajuda financeira da ONU para participar das conferências. Diárias que superam os US$ 1.000 estão muito além dos orçamentos. Os valores deveriam estar mais próximos de US$ 100, disse um negociador de Timor-Leste, uma pequena ilha no Pacífico.
Diplomatas de quatro países disseram ao Site UOL ainda não ter lugar para ficar durante a COP30. Alguns cogitam a possibilidade de levar delegações reduzidas por causa dos preços. De acordo com reportagem do Sumaúma, alguns países estariam prontos para apresentar um pedido formal de que a conferência seja realizada em outra cidade.
Dúvidas práticas sobre a organização do evento não são um tema oficial da reunião anual de diplomatas que acontece na ex-capital da Alemanha Ocidental e onde fica a sede da Convenção do Clima, a UNFCCC. Mas o assunto se tornou obrigatório nas conversas entre diplomatas e observadores nesta pré-COP.
Os comentários refletem uma preocupação de ordem prática, mas a ameaça de alguns países em desenvolvimento de não enviar delegados também é interpretada como mais uma forma de pressão política.
Uma COP sem alguns dos países mais afetados pela do clima seria um sinal perigoso para o futuro do regime de colaboração internacional.








