Crendice popular pode ter provocado matança de botos cor-de-rosa na região do Ariri, na zona rural de Macapá 

Moradores relatam que animais foram mortos por arpão e que os órgãos sexuais foram retirados

Quatro botos cor-de-rosa foram encontrados mortos entre os dias 6 e 12 de agosto de 2025, na região do Ariri, na zona rural de Macapá. De acordo com informações repassadas por moradores da comunidade ao Instituto de Pesquisas do Amapá (Iepa), um estava na entrada do rio Flexal, dois entre a vila do Ariri e o Areal do Matapi e um filhote próximo à vila do Ariri.

Em comum, os animais tinham perfurações como se tivessem sido atingidos por arpão e cortes profundos na região genital, indicando possível retirada do órgão sexual. 

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Pelas características, a comunidade desconfia que os bichos foram mortos por causa do comércio clandestino de partes do corpo, já que o óleo da genitália das fêmeas e o órgão sexual dos machos são vendidos em feiras populares, inclusive no Amapá. Pedaços são imersos em óleo ou perfume, como amuletos do amor, com rótulo anunciando o poder de sedução do boto. 

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Outra possibilidade é a pesca predatória com arpão, recreação praticada por visitantes da comunidade ou a matança pelo simples fato dos animais se aproximarem das áreas de pesca. 

O Iepa repassou as informações ao Ministério Público do Amapá (MP-AP), que solicitou ao Batalhão Ambiental da PM e à Secretaria de Meio Ambiente (Sema) ações de fiscalização na região para tentar identificar os autores do crime. 

Depois de fazer diligências na região, a Polícia Ambiental informou que não realizou nenhum procedimento penal ou administrativo. Declarou que conversou com moradores e até encontrou dois botos em estado de decomposição, mas sem pistas dos acusados ou de como as mortes teriam ocorrido. 

A Sema também enviou uma equipe de fiscais ao local. Os técnicos ouviram dos moradores que as mortes não ocorreram por causas naturais, e que pelas mutilações, as pessoas mataram para retirar as partes reprodutivas para usarem em rituais religiosos ou venderem como amuletos. 

A secretaria informou ao MP que depois do ocorrido, em agosto do ano passado, já fez três ações de fiscalização na região do Ariri, mas não encontrou mais registros de matança de botos. 

A Polícia Civil também foi acionada e a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente instaurou inquérito para investigar o caso. 

Quase seis meses depois que os animais foram encontrados mortos, as investigações ainda não foram concluídas. No dia 5 de janeiro, o promotor de Defesa do Meio Ambiente Marcelo Moreira, assinou portaria instaurando procedimento preparatório para dar prosseguimento às apurações. 

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