
Os produtores indígenas de Oiapoque, município no extremo norte do Amapá na fronteira com a Guiana Francesa, já podem contar com uma câmara térmica automatizada para tratamento e propagação de manivas-semente de qualidade genética e fitossanitária. A estufa agrícola foi entregue pela Embrapa no último dia (21), durante dia de campo realizado no Centro de Formação Indígena de Oiapoque “Domingos Santa Rosa”, localizado na Aldeia Manga, KM 18 da BR-156.
A aquisição, instalação e assessoria da Embrapa – por meio da Rede Reniva – com relação ao uso da tecnologia, faz parte da estratégia de enfrentamento à vassoura-de-bruxa da mandioca. A câmara térmica será administrada pelo Conselho de Caciques Indígenas de Oiapoque (CCPIO) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e operacionalizada pelos Agentes Ambientais Indígenas de Oiapoque (Agamins).

A câmara térmica foi adquirida com recursos de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Embrapa. O equipamento faz parte do TED Reniva Indígena, que busca apoiar as comunidades indígenas no enfrentamento à vassoura-de-bruxa da mandioca, praga que ameaça à segurança alimentar de milhares de famílias. O problema, que já atinge roças nos estados do Amapá e Pará, incluindo territórios indígenas de Oiapoque, Wajãpi e Tumucumaque nas fronteiras com a Guiana Francesa e Suriname, demanda medidas integradas de prevenção e controle.
Para o chefe-geral interino da Embrapa Amapá, Jô de Farias Lima, “o grande benefício da câmara técnica é trabalharmos a sanitização dos materiais de mandioca da comunidade indígena. A estrutura de funcionamento está organizada para ofertar o serviço de sanitização, fornecer materiais de qualidade para estes produtores de mandioca e a partir disso, os materiais serem multiplicados nas aldeias. O diferencial desta tecnologia é a temperatura e umidade, aspectos que fazem com que a câmara funcione”.
O agente ambiental indígena Gilmar Nunes André, do povo Galibi Marworno e morador da Terra Indígena Juminã, destacou que a perspectiva é obter, a cada 120 dias, mudas sadias provenientes das manivas-sementes que passam pelo tratamento na câmara térmica, para compor viveiros nas demais aldeias. “Vai ser multiplicado de quatro em quatro meses, porque cresce rápido, e 120 dias depois (de iniciado o ciclo da termoterapia na câmara), as mudas poderão ser plantas na roça”.
Durante o dia de campo em Oiapoque, os membros da coordenação nacional da Rede Reniva, Hermínio Rocha e Helton Fleck da Silveira, apresentaram as funcionalidades da tecnologia, que é totalmente automatizada. Eles explicaram que o equipamento tem papel fundamental no tratamento de manivas-semente, permitindo a eliminação de patógenos que comprometem a sanidade das mudas. Além disso, possibilita a multiplicação de materiais com identidade genética garantida, condição essencial para aumentar a produtividade e assegurar alimentos de qualidade para agricultores familiares e comunidades indígenas.








