A 13 dias do primeiro turno, campanhas entram em fase decisiva; segurança pública e investigações sobre pessoas apontadas como ligadas a facções que ocuparam cargos na Prefeitura de Macapá entram no centro do confronto político

Faltando apenas 13 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, a disputa pelo Governo do Amapá entra em sua fase mais decisiva. Cinco candidatos estão na corrida pelo Palácio do Setentrião, mas o confronto político está concentrado principalmente entre o governador Clécio Luís (União Brasil), que busca a reeleição, e o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD).
As pesquisas divulgadas até agora colocam Furlan na liderança. Em agosto, pesquisa Quaest também havia colocado Furlan na frente, com 55%, contra 35% de Clécio. O levantamento ouviu 804 eleitores e foi registrado no TSE sob o número AP-09438/2026.
Campanha de Clécio mira reação na reta final
Apesar da vantagem registrada por Furlan nas pesquisas, aliados e integrantes da campanha de Clécio apostam na possibilidade de crescimento do governador justamente nos últimos dias antes da votação.
A estratégia passa pela intensificação das agendas de rua, mobilização das lideranças municipais e exploração das diferenças entre os dois principais candidatos, especialmente em temas relacionados à segurança pública, combate ao tráfico de drogas e enfrentamento ao crime organizado.
Clécio chega à reta final sustentado por uma ampla estrutura de alianças políticas no estado, enquanto a campanha de Furlan trabalha para preservar a vantagem registrada nos levantamentos eleitorais.
Nesse cenário, os próximos dias deverão mostrar se o governador conseguirá transformar sua articulação política e a mobilização de aliados em crescimento eleitoral suficiente para reduzir a distância registrada pelas pesquisas.

Crime organizado entra no centro da campanha
Um dos temas que ganhou força nesta reta final é a investigação sobre a presença de pessoas apontadas como ligadas a organizações criminosas em cargos da Prefeitura de Macapá durante a administração de Furlan.
Reportagem da CNN Brasil publicada em 16 de setembro, com base em investigação da Polícia Civil, informou que ao menos 12 pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado foram contratadas ou nomeadas na Prefeitura de Macapá entre 2021 e 2026, período correspondente à gestão de Furlan.
Segundo a CNN, uma fonte ligada à investigação afirmou que 11 seriam integrantes da Família Terror do Amapá (FTA) e uma teria ligação com o Comando Vermelho. Furlan nega qualquer relação com facções criminosas.
O episódio passou a ser explorado politicamente pelos adversários do ex-prefeito e tende a ocupar espaço crescente no debate eleitoral até o primeiro turno.
Clécio e seus aliados vêm intensificando as críticas à antiga administração municipal e cobrando explicações sobre como pessoas apontadas pelas investigações como vinculadas a organizações criminosas conseguiram ocupar funções dentro da estrutura da Prefeitura.
Para a campanha governista, o assunto ganha ainda mais peso diante dos problemas históricos enfrentados pelo Amapá com facções, tráfico de drogas e disputas territoriais entre organizações criminosas.
Furlan tenta manter vantagem
Do outro lado, Furlan entra nos últimos dias de campanha tentando preservar a dianteira construída ao longo da disputa.
Agora, entretanto, enfrenta uma campanha estadual em um ambiente político diferente e sob maior exposição de fatos relacionados à sua administração municipal.
As investigações envolvendo ex-integrantes e servidores da Prefeitura devem continuar sendo um dos principais pontos de confronto entre as campanhas.
Treze dias que podem definir a eleição
Com apenas 13 dias até as urnas, o desafio dos dois principais candidatos é distinto.
Furlan precisa transformar a vantagem apresentada pelas pesquisas em votos efetivos e impedir que os acontecimentos recentes provoquem perda de apoio. Clécio, por sua vez, precisa ampliar sua votação e reduzir a distância apontada pelos levantamentos.
Os outros três candidatos ao governo — Delegado Marcos Reátegui (DC), Jairo Palheta (PCO) e Carlos Cley (PSTU) — completam a disputa. A relação atualizada de candidaturas consta nos dados do TSE divulgados neste domingo (21).
A campanha entra, portanto, em seu período de maior pressão. Segurança pública, alianças políticas, resultados administrativos e as investigações envolvendo pessoas que passaram pela Prefeitura de Macapá devem dividir espaço com propostas e agendas de rua.








