
Faltando menos de quatro meses para a COP30, a conferência do clima da ONU, o Aeroporto Val-de-Cans, está em obras – é assim em boa parte da capital paraense. A reforma é responsabilidade da empresa Norte da Amazônia Airports (NOA), que em agosto de 2022 arrematou por 125 milhões de reais a privatização dos aeroportos de Belém e Macapá. Agora, com a aproximação da COP, antecipou um investimento de 450 milhões de reais em Val-de-Cans. As informações foram publicadas pelo Portal Sumaúma.
A obra prevê quase triplicar a área de embarque, construir um novo pátio com mais posições para estacionamento de aeronaves, além de restaurar pistas. A data-limite para que tudo esteja pronto é 31 de agosto. De acordo com a NOA e o Ministério de Portos e Aeroportos, 85% dos serviços já foram cumpridos.

O Portal Sumaúma também teve acesso a um relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que foi baseado em visita técnica de acompanhamento que ocorreu de 13 a 15 de maio. Nele concluiu-se que “o cronograma é motivo de atenção” e que a situação “é ainda mais crítica, uma vez que já foram registrados diversos imprevistos”, como a interferência entre fundações e cabos subterrâneos.
Segundo o relatório, àquela altura, o cronograma e o valor de aceleração da obra ainda não estavam formalizados entre a concessionária NOA, e a construtora Eterc, que executa o trabalho. “Esta situação é alarmante tanto do ponto de vista da gestão das obras, quanto […] dos potenciais impactos contratuais da pretensa antecipação das obras”, avaliou o documento. O diretor-presidente da NOA, Marco Antônio Migliorini, afirma que “todos os ritos estão seguindo sem quaisquer intercorrências”.

Nos dias 9 e 10 de julho, técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), voltaram ao aeroporto. Consideraram que, “embora persista o risco de descumprimento do cronograma, houve avanço significativo nas obras desde a última visita”. A nova inspeção listou como principais pontos de atenção uma das pistas de movimentação de aeronaves, ainda na fase inicial de pavimentação, e a área do terminal no piso superior próxima a um mezanino e à praça de alimentação, na etapa de demolição.
Problemas na climatização do aeroporto
A reportagem do Sumaúma lembrou que o calor é um inconveniente crônico no Aeroporto de Belém, apesar do sistema de ar condicionado. No quiosque de bombons regionais com recheios de frutos da Amazônia, as vendedoras mantêm dois pequenos ventiladores de mesa para tentar amenizar as falhas não resolvidas na climatização. “Sempre foi quente, desde antes das obras”, confirma Tamille Brasil, funcionária do quiosque.
Entre agosto de 2024 e janeiro deste ano, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil, foram registradas 61 reclamações de usuários na ouvidoria do aeroporto. O segundo tema mais recorrente dessa lista é o conforto térmico, com 12 queixas – atrás apenas de reclamações sobre companhias aéreas.
A visita de maio da Anac alertou: “Persiste o problema das altas temperaturas no terminal, o que compromete o conforto dos usuários […]. Essa questão precisa ser urgentemente solucionada, especialmente em função da realização da COP30 e eventos associados”. Mas ainda não houve solução.
O desconforto térmico no terminal de passageiros descumpre os parâmetros do contrato de privatização do aeroporto. Mesmo com a instalação de climatizadores provisórios, medições feitas pelos técnicos no saguão de embarque em maio “indicaram que a Temperatura Operativa [TO] manteve-se acima do limite máximo permitido de 25,5°C”.
A visita de julho da Agência Nacional de Aviação Civil constatou que o calor continua. A Norte da Amazônia Airports informou à Anac que reformou um e adquiriu dois novos equipamentos de refrigeração, chamados chillers. Para que entrem em operação, será preciso interromper o sistema “por aproximadamente 15 horas”. A empresa diz esperar o “melhor momento”, considerando os impactos no funcionamento do aeroporto.
A Sumaúma, o diretor-presidente da NOA disse que os sistemas de climatização estão sendo substituídos e que vão ser instalados brises, peças para filtrar a luz solar e diminuir o calor. Mas não respondeu quando o problema estará resolvido.
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