Fotografias revelam consequências de procedimentos estéticos realizados ilegalmente em Santana. Uma das pacientes sofreu infecção bacteriana grave e deformidade permanente no rosto.

A Polícia Civil do Amapá divulgou imagens que mostram as graves lesões sofridas por uma paciente submetida a procedimentos estéticos realizados por uma mulher investigada por exercício ilegal da medicina, em Santana, na Região Metropolitana de Macapá.
As fotografias, divulgadas com autorização da vítima, mostram as consequências das intervenções realizadas na clínica que funcionava no bairro Paraíso. Segundo as investigações, a mulher realizava cirurgias plásticas e outros procedimentos invasivos sem possuir habilitação profissional ou registro em conselho de classe.
A suspeita, identificada como Stefani Viana Barbosa, foi presa preventivamente na quarta-feira (28), durante uma operação da 1ª Delegacia de Polícia de Santana.
As imagens revelam a gravidade das consequências enfrentadas por pacientes que procuraram o estabelecimento em busca de tratamentos estéticos.
Paciente pagou mais de R$ 14 mil e ficou com deformidade permanente
Um dos casos que fundamentaram o pedido de prisão preventiva envolve uma mulher que pagou mais de R$ 14 mil por procedimentos de lipoenxertia e aplicação de fios de sustentação facial.
De acordo com a Polícia Civil, após as intervenções, a paciente desenvolveu uma infecção bacteriana grave, acompanhada de flegmão, abscesso e deformidade facial permanente.
O flegmão é uma inflamação infecciosa que pode se espalhar pelos tecidos, enquanto o abscesso corresponde ao acúmulo localizado de pus provocado por uma infecção.
As complicações podem representar riscos graves à saúde, especialmente quando não recebem tratamento adequado.
Uma das vítimas, identificada como Elisângela Matos, relatou à imprensa que chegou a temer pela própria vida depois dos procedimentos.
Segundo seu relato, o rosto apresentou inchaço intenso e as complicações exigiram atendimento médico.
A paciente afirmou que desconhecia a falta de habilitação da investigada para realizar os procedimentos oferecidos.

Clínica funcionava em condições insalubres
Durante o cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão, os policiais encontraram uma estrutura utilizada para procedimentos estéticos e cirúrgicos em condições consideradas insalubres.
Segundo a Polícia Civil, a clínica funcionava como extensão da residência da investigada e não possuía alvará municipal nem licença da Vigilância Sanitária.
Os agentes encontraram baratas nos ambientes de atendimento e medicamentos armazenados próximos a produtos utilizados para combater insetos.
Também foram apreendidos instrumentos cirúrgicos, toxina botulínica, substâncias para preenchimento estético, hormônios, insulina e somatropina, conhecida como GH.
Entre os materiais recolhidos estavam ainda canetas emagrecedoras sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e medicamentos sujeitos a controle.
Os produtos apreendidos poderão ser submetidos a exames periciais para verificar sua origem, regularidade e possíveis riscos à saúde.
Falsa médica já era investigada por tentativa de homicídio

As investigações apontam que a atuação da suspeita não se restringia ao caso que motivou a prisão desta semana.
Segundo o delegado Anderson Ramos, responsável pelas investigações, existem cinco inquéritos policiais relacionados à mulher.
Quatro deles tramitam na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Santana.
Entre os crimes investigados estão tentativa de homicídio, lesão corporal grave com deformidade permanente, exercício ilegal da medicina e estelionato.
A Polícia Civil informou ainda que a investigada possui uma condenação definitiva de cinco anos, sete meses e dois dias de prisão, em regime semiaberto, por crimes semelhantes.
No novo procedimento, ela é investigada por lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina com finalidade lucrativa, estelionato, crime contra as relações de consumo e possíveis infrações relacionadas a medicamentos irregulares.
A prisão preventiva foi determinada judicialmente e não representa condenação pelos fatos que ainda estão sob investigação.








