Processo revela novos indícios de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Macapá e reforça gravidade de esquema

A Operação Paroxismo que levou ao afastamento e posterior renuncia do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD) ganhou um novo e contundente capítulo: o processo do caso revela que José Furlan Neto, irmão do ex-prefeito tinha chave bancária na Prefeitura de Macapá e teve participação direta em movimentações financeiras suspeitas dentro da Prefeitura.
José Furlan Neto, então secretário municipal de Governo, possuía acesso a uma chave bancária e essa credencial foi utilizada para autorizar pagamentos milionários em um contexto considerado atípico e sob investigação.
Pagamentos suspeitos no dia do afastamento
No mesmo dia em que foi determinado o afastamento de Antônio Furlan e de integrantes da cúpula da gestão municipal, foram realizados pagamentos considerados irregulares, sem autorização da gestão interina.
Entre as operações identificadas estão:
- R$ 819.330,69 pagos à empresa M2 Comunicação Ltda.;
- R$ 2.494.237,88 pagos à empresa Top Construções e Serviços Ltda.
Os valores somam R$ 3.313.568,57, todos executados com uso da chave bancária vinculada a José Furlan Neto .
De acordo com o processo os pagamentos ocorreram poucas horas após a decisão judicial que afastou o então prefeito, levantando suspeitas de tentativa de escoamento acelerado de recursos públicos.
Indícios de fraude, desobediência e lavagem de dinheiro
Para a justiça o contexto das operações financeiras apresenta múltiplas irregularidades como emissão de notas fiscais às pressas; liquidação acelerada de despesas; ausência de autorização do prefeito interino; e uso de credenciais por agente ligado ao núcleo político da gestão afastada.
Os fatos podem configurar crimes como peculato, fraude em contratos públicos, desobediência a ordem judicial, lavagem de capitais e até tentativa de obstrução das investigações .
Esquema pode envolver estrutura da Prefeitura
O documento também reforça que o caso não se trata de fatos isolados. Pelo contrário, há indícios de atuação coordenada dentro da estrutura administrativa da Prefeitura de Macapá.
A decisão judicial que manteve o afastamento do vice-prefeito Mário Neto (MDB) menciona, inclusive, episódios posteriores ao afastamento, como invasão de setores estratégicos; retirada de HDs de computadores do setor de licitações; queda de sistemas internos; e dificuldades de acesso a dados financeiros e administrativos.
Esses elementos indicam uma possível tentativa deliberada de ocultar provas e comprometer o andamento das investigações.
Um dos maiores escândalos da história da PMM

A gravidade dos fatos levou a justiça a reconhecer que o caso pode retratar um esquema de grandes proporções, envolvendo o desvio de recursos públicos destinados, inclusive, à área da saúde.
O processo faz referência a um possível desvio de valores que pode chegar à casa de dezenas de milhões de reais, dentro de contratos ligados à construção do Hospital Geral de Macapá .
Diante desse cenário, a permanência de agentes públicos nos cargos foi considerada um risco concreto à investigação, o que motivou a prorrogação dos afastamentos.
Impacto político e institucional
O envolvimento direto de um familiar do ex-prefeito no uso de chave bancária da Prefeitura amplia o alcance político do escândalo e reforça a tese de que o esquema investigado operava a partir do núcleo central da gestão municipal.
A Operação Paroxismo, que já havia resultado no afastamento e posterior renúncia de Antônio Furlan, agora expõe novos elementos que consolidam o caso como um dos maiores escândalos de corrupção já registrados na Prefeitura de Macapá.
As investigações seguem em andamento e podem resultar em novas medidas judiciais, incluindo responsabilização criminal dos envolvidos e aprofundamento das apurações sobre o destino dos recursos públicos.








