Justiça Federal retira União de ação que tenta proteger áreas de ressaca de Macapá

Decisão também envia processo para a justiça estadual; ação discute políticas de moradia, saneamento e ocupações em áreas de risco de Macapá e Santana

A Justiça Federal no Amapá decidiu retirar a União de uma ação civil pública que discute políticas de moradia, saneamento e ocupação em áreas de ressaca nos municípios de Macapá e Santana. Com a decisão, o processo foi remetido para a Justiça Estadual.

A ação foi proposta pela Defensoria Pública da União (DPU) contra a União, o Estado do Amapá, as prefeituras de Macapá e Santana e parlamentares da bancada federal do estado. 

O objetivo era obrigar a adoção de medidas para garantir moradia digna, saneamento ambiental e proteção das áreas de ressaca, onde vivem milhares de famílias em situação de vulnerabilidade. 

A DPU pede que sejam adotadas políticas de proteção das áreas alagadas e de moradia para a retirada das famílias dessas áreas. 

Na decisão, o juiz federal Felipe Lira Handro reconheceu a ilegitimidade da União para figurar no processo, argumentando que as obrigações discutidas na ação — como fiscalização urbanística, limpeza urbana, gestão de resíduos e controle de ocupações irregulares — são atribuições predominantemente de estados e municípios.

A decisão também destaca que, anteriormente, o processo já havia sido extinto em relação aos parlamentares federais da bancada do Amapá, por ausência de fundamento jurídico para responsabilizá-los judicialmente pelas destinações de emendas parlamentares.

Com a exclusão da União do processo, a Justiça Federal declarou a perda superveniente de competência para julgar o caso. Assim, o processo deverá ser encaminhado à Justiça Estadual, que passará a analisar as demandas relacionadas às políticas públicas nas áreas de ressaca.

Pedidos da ação

Na ação civil pública, a DPU solicitou diversas medidas, entre elas:

  • cadastramento das famílias que vivem nas áreas de ressaca;
  • ações para impedir novas ocupações irregulares;
  • melhorias na limpeza urbana e gestão de resíduos;
  • reparos em passarelas de madeira e demolição de passarelas de concreto construídas com recursos de emendas parlamentares;
  • obras de drenagem e infraestrutura;
  • destinação de recursos públicos para melhorias nas áreas afetadas.

A Defensoria também citou situações de risco socioambiental e vulnerabilidade social, incluindo casos de acidentes e mortes em áreas alagadas.

Agora, caberá à Justiça Estadual analisar o mérito da ação e decidir sobre as responsabilidades do Estado e dos municípios na implementação das políticas públicas reivindicadas.

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