Em conversas por aplicativo de mensagem, Luanderson de Oliveira, apontado como líder da Família Terror do Amapá, disse que o ex-prefeito de Macapá o incentivou a entrar na política

Os diálogos foram divulgados em uma decisão da juíza eleitoral Stella Simonne Ramos, onde ela negou pedido feito pelo ex-candidato a vereador de Macapá, Luanderson de Oliveira, o Caçula, que tentava retirar a tornozeleira eletrônica, medida imposta pela Justiça Eleitoral há um ano.
Caçula foi candidato a vereador em 2024 e junto com outros comparsas, teriam se utilizado da estrutura da organização criminosa Família Terror do Amapá (FTA) para coagir eleitores e obter votos.
A ação penal eleitoral, que tramita na 2ª Zona de Macapá, deixa claro que a FTA tinha a pretensão de expandir sua influência para dentro das instituições públicas, por meio de mandatos políticos, como forma de ampliar o poder da facção criminosa.

Caçula e o ex-subsecretário de Zeladoria Urbana da Capital, Jesaias Silva, o Jeiza, foram presos às vésperas das eleições de 2024, suspeitos de serem os líderes das ações no Macapaba. Eles foram acusados de crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de capitais e crimes eleitorais.
Dr. Furlan não é investigado, e exonerou Jesaias logo que ocorreu a prisão.
Embora não sendo réu ou investigado na ação penal, transcrições de comunicações interceptadas pela Polícia Federal, no curso das investigações da Operação Herodes, citam o ex-prefeito em diversos trechos. Um deles mostra que o Dr. Furlan incentivou Caçula a se candidatar.

As gravações foram feitas no começo do ano, meses antes da campanha eleitoral. Em um dos trechos, Caçula conversa com o criminoso Rosemiro de Carvalho Freitas, faccionado que cumpre pena no sistema penitenciário.
Caçula diz que teria conversado com Furlan, de quem teria recebido estímulo para entrar na política. “Como o FURLAN falou: ‘Já tá na hora, CAÇULA, tá mais do que na hora pra tu entrar pro meio de campo’, entendeu?”.
Outro diálogo entre os dois, fala da tentativa de obter um atestado médico para viabilizar o pedido de cumprimento de pena em unidade prisional hospitalar ou domiciliar com o objetivo logístico de facilitar a fuga de Rosemiro.
Caçula novamente cita o ex-prefeito, mas o trecho não deixa claro do que os dois estão tratando: “Tú não imagina o quanto eu quero conseguir isso pra ti. Amanhã eu vou fazer o impossível do impossível pra mim chegar com FURLAN e mostrar pra ele isso daí e aí a gente vai tentar resolver isso daí, mas eu tô esperando a resposta do cara lá. O que o cara me falar eu vou falar pra ti”.
Conversas entre Caçula e Jesaias, então subsecretário da prefeitura, também trataram do laudo médico para Rosemiro, mas sem deixar claro se a estrutura municipal chegou a ser usada para atender o faccionado.
Caçula, segundo os diálogos, também tentou alugar um prédio seu para a prefeitura de Macapá usar para o funcionamento de uma creche. E em demonstração de parceria com o ex-prefeito e com Jesaias, o líder da facção FTA mencionou um vídeo em que o então prefeito Furlan agradeceria Luanderson pelo trabalho desenvolvido no Macapaba.
O trabalho no habitacional, segundo a PF, envolvia violência e ameaça para coagir o eleitorado, inclusive ameaçando que quem não votasse em Caçula poderia ser expulso do apartamento.








