No Amapá 13,5% dos adolescentes relatam já terem sido vítimas de violência sexual 

No Amapá, cerca de 26,3% dos escolares de 13 a 17 anos, alguma vez na vida e contra a sua vontade, foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo

Segundo o estudo o Amapá registrou a segunda maior porcentagen de casos, atrás somente do Amazonas

No Amapá, cerca de 26,3% dos escolares de 13 a 17 anos, alguma vez na vida e contra a sua vontade, foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo. No caso das meninas, o percentual (35,7%) é mais do que o dobro do observado para os meninos (16,5%). Além disso, 13,5% dos escolares informaram que foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade alguma vez na vida, sendo 8,9% dos meninos e 18,0% das meninas.

São informações da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 que entrevistou estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, em 114 escolas no Amapá. O universo retratado pela pesquisa abrange 54,7 mil estudantes de 13 a 17 anos. Os meninos são 26,9 mil (49,2%) e as meninas, 27,8 mil (50,8%). Nas escolas públicas, estudavam 49,5 mil (90,5%) e nas escolas privadas, 5,2 mil (9,5%).

Bebida alcoólica

Em 2024, 42,6% dos escolares já haviam ingerido uma dose de bebida alcoólica e 19,8% deles haviam tomado a primeira dose com menos de 14 anos. Cerca de 38,2% dos escolares declararam ter passado por algum episódio de embriaguez.

O uso de droga ilícita em algum momento da vida foi declarado por 6,1% dos estudantes e 1,8% o fizeram pela primeira vez com menos de 14 anos. Quanto ao cigarro, 15,4% dos estudantes responderam ter fumado alguma vez na vida.

Em 2024, 38,5% dos escolares já haviam tido sua iniciação sexual, sendo que 59,6% deles usaram preservativo em sua primeira vez e 40,9% não o utilizaram na última relação sexual. Entre as meninas que já haviam tido relação sexual, 7,4% engravidaram alguma vez na vida. Entre escolares da rede pública, esse percentual foi de 7,8%, enquanto entre escolares da rede particular, foi de 0,4%.

Quanto ao bullying, 29,6% dos escolares afirmaram que se sentiram humilhados pelos colegas duas vezes ou mais, nos últimos 30 dias. O percentual das meninas (33,4%) superou o dos meninos (25,7%).

Redes sociais

A PeNSE 2024 perguntou aos escolares se eles se sentiram ameaçados, ofendidos ou humilhados nas redes sociais ou em aplicativos: 16,7% responderam que sim.A percepção de que a violência sexual contra menores de idade – em especial meninas – vem aumentando é corroborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Nova edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgada nesta quarta-feira, 25, revela aumento nos casos relatados de estupro e violência sexual entre os estudantes de 13 a 17 anos das redes pública e privada do País.

O trabalho mostra que 8,8% dos adolescentes relatam já terem sido estuprados. O mesmo levantamento revela também que 18,5% dos jovens informaram já ter passado por situações de assédio e abuso sexual.

Os principais agressores relatados pelos adolescentes estão dentro de sua própria casa. Essa é uma das poucas pesquisas feitas no Brasil em que os próprios adolescentes reportam as violências sexuais sofridas – ou seja, não depende de registros oficiais no sistema de saúde ou de segurança.

Violência sexual atinge uma em cada três meninas de 13 a 17 anos

No Amapá, cerca de 26,3% dos escolares de 13 a 17 anos alguma vez na vida foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo contra a sua vontade. Tais casos de abuso sexual foram bem mais frequentes entre as meninas (35,7%), com taxa duas vezes maior do que a observada para os meninos (16,5%). É o pior resultado entre os estados brasileiros.

Entre os escolares que sofreram abuso sexual, 29,4% apontaram outras pessoas conhecidas como o agressor; 28,6% apontaram outros familiares; 25,6%, um desconhecido; 17,3% apontaram o(a) namorado(a); 16,1% apontaram amigo(a); e 5,8%, pai, mãe ou responsável.

Casos de estupro foram informados por 18,0% das meninas e 8,9% dos meninos

Cerca de 13,5% dos escolares foram obrigados a ter relação sexual contra a vontade. Entre os meninos, o percentual foi de 8,9% e, entre as meninas, de 18,0%. Os casos foram mais elevados entre os alunos da rede pública (14,0%) do que da rede privada (9,0%). Em 70,6% dos casos de relação sexual forçada, o aluno tinha 13 anos ou menos quando ocorreu a violência.

Para esse tipo de agressão, 73,3% dos autores eram pessoas próximas. Especificamente, outras pessoas da família (33,7%) e outra pessoa conhecida (23,4%) foram os principais autores apontados. Mas desconhecido (26,6%), namorado(a) (18,6), amigo(a) (10,6%) e pai, mãe ou responsável (7,6%) tiveram percentuais também relevantes.

Menos da metade dos escolares de 13 a 17 anos moram com pai e mãe

No Amapá, em 2024, 49,5% dos escolares de 13 a 17 anos responderam que moram com pai e mãe. Cerca de 35,8% moram só com a mãe. Outros 6,7% somente com o pai e 7,9% não moram nem com pai, nem com mãe.

Números

Embora as porcentagens de violência sexual tenham sido um pouco maiores para os adolescentes mais velhos (16 a 17) em comparação ao grupo etário de 13 a 15 anos (9,7% contra 8,2%), é importante salientar que os 1,1 milhão de adolescentes eram menor de 13 anos quando a violência ocorreu.

Segundo o trabalho, a violência sexual foi evidenciada em todas as regiões do País, com a maior prevalência na Região Norte (11,7%). As maiores porcentagens de adolescentes vítimas de violência sexual foram registradas nos Estados do Amazonas (14%), Amapá (13,5%) e Tocantins (13%). Segundo o estudo o Amapá registrou a segunda maior porcentagen de casos, atrás somente do Amazonas.

Os principais agressores relatados pelos adolescentes estão dentro de sua própria casa

Atos ‘contra a sua vontade’

Em 2024, 18,5% dos escolares informaram ter passado por situação em que “alguém o/a tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade”, o que representa um aumento de 3,9 pontos porcentuais em relação a 2019, quando foi divulgada a última edição da Pense. Este tipo de violência foi mais reportado pelas meninas, visto que 26% delas relataram ter passado por essa situação de assédio. O número é mais que o dobro do registrado para os meninos (10%).

Além do aumento do assédio sexual, os resultados da Pense registraram também um aumento dos casos de estudantes que “foram obrigados a ter relações sexuais contra a vontade deles”.

Pesquisa

Os dados fazem parte da quinta edição da Pense, realizada em 2024 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e o apoio do Ministério da Educação.

O objetivo é fornecer informações para o sistema de vigilância sobre fatores de risco e proteção para a saúde dos estudantes, acompanhando fatores relacionados ao desenvolvimento biopsicossocial e de exposição a condições de risco para esse grupo etário.

A pesquisa é uma das mais completas para esta parcela da população, pois abarca uma vasta gama de temas, que vai da situação econômica das famílias dos jovens, passando por condições das escolas, saúde dos adolescentes, higiene pessoal, hábitos alimentares, uso de tabaco, álcool e drogas, até violência sexual, bullying e saúde mental.

COMPARTILHE!

Comentários:

Notícias Relacionadas

error: Conteúdo protegido!!