
A coleta das amostras de ouro foi realizada em dezembro em regiões de garimpo do estado do Amapá. O assunto foi divulgado em reportagem produzida pelo Portal Diplomacia Business.
As informações coletadas na ação vão ampliar a base de dados geoquímicos e isotópicos do ouro na Amazônia e e fortalecer investigações criminais relacionadas ao garimpo ilegal. Organizada em parceria com a Polícia Federal, a campanha contou com a participação de representantes do Serviço Geológico do Brasil e da França, além de autoridades do governo da Guiana Francesa e Gendarmeria.
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Durante a missão, a comitiva realizou visitas técnicas, reuniões e atividades de campo em mineradoras e cooperativas de garimpeiros do Amapá, incluindo localidades como Tartarugalzinho, Lourenço e Oiapoque, onde também ocorreu reunião com autoridades do Governo da Guiana Francesa na sede da Polícia Federal.
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Ao todo, foram coletadas 36 amostras que, com apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), serão analisadas para comparar perfis geoquímicos e isotópicos do ouro extraído na região, fortalecendo a produção de dados e o Banco de Perfis Auríferos (BANPA) da Polícia Federal brasileira.
Espera-se que os resultados contribuam para aprimorar técnicas forenses, ampliar bases de dados compartilhadas com autoridades francesas e apoiar investigações sobre exploração, rotas ilegais de extração e comercialização do ouro e suas conexões com os crimes transfronteiriços.
Relevância estratégica
A missão no Amapá reforça a importância da cooperação internacional para a prevenção e o combate à mineração ilegal de ouro, ampliando a compreensão sobre as dinâmicas criminais na região amazônica e contribuindo para respostas mais coordenadas e baseadas em evidências.
Cooperação regional e troca de informações sobre a origem do ouro
A mineração ilegal de ouro está entre os crimes ambientais mais lucrativos e destrutivos da Amazônia e frequentemente se vincula a redes criminosas transnacionais. Além de provocar impacto direto sobre terras indígenas, unidades de conservação e comunidades locais, essa atividade ilícita se articula com lavagem de dinheiro, tráfico de mercúrio e corrupção.
Esse cenário se repete na maior parte da região amazônica com grupos organizados criminosos controlando áreas de mineração ilegal e rotas transnacionais. Na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, uma das regiões mais remotas da floresta amazônica, o garimpo ilegal representa um desafio persistente. O compartilhamento de informações sobre a origem do ouro, apoiado em análises geoquímicas e isotópicas e em técnicas forenses avançadas, tornou-se um eixo central da cooperação entre os dois países.
Essa colaboração foi iniciada no ano de 2024, quando peritos criminais federais brasileiros e representantes do Serviço Geológico do Brasil realizaram uma campanha de coleta de amostras na Guiana Francesa.
Neste sentido, a campanha de coleta no Amapá representa a continuidade deste processo de intercâmbio técnico e fortalece a cooperação internacional entre Brasil e França no enfrentamento ao garimpo ilegal, no âmbito do Acordo Técnico de Cooperação policial, institucional e operacional contra a mineração ilegal de ouro.








