Advogados apontam robustez das provas já reunidas pela Polícia Federal e dizem que situação do ex-prefeito Furlan é “bastante crítica” dentro do inquérito

A Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal e que resultou no afastamento e posterior renúncia do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, pode ganhar novos desdobramentos ainda mais severos, incluindo a possibilidade de prisões. A avaliação é de especialistas em direito ouvidos com exclusividade pelo ConectAmapá.
Com base na análise de um inquérito que ultrapassa 1.800 páginas, três advogados com ampla experiência na área criminal e administrativa foram unânimes ao afirmar que o material já reunido na primeira fase da operação apresenta elementos robustos e suficientes para sustentar a abertura de ações judiciais contra os investigados.
Sob condição de anonimato — motivada pelo ambiente de forte polarização política e ataques recorrentes nas redes sociais —, os especialistas destacaram que a investigação ainda está em evolução e tende a se aprofundar.
Nova fase pode ampliar pressão sobre investigados
Segundo dois dos três advogados consultados, a tendência é de que a operação avance para uma terceira fase, com possibilidade concreta de decretação de prisões dos principais envolvidos no esquema investigado.
“A segunda fase deve trazer ainda mais elementos para consolidar o que já foi identificado. E, com esse nível de material, não se pode descartar medidas mais duras, inclusive prisões”, afirmou um dos especialistas.
Um terceiro advogado, embora reconheça a gravidade das provas já reunidas, avalia que uma eventual nova etapa pode ocorrer sem a necessidade de prisões, justamente pela consistência do que já foi produzido pela Polícia Federal.
“Situação de Furlan é bastante complicada”
Apesar de divergirem quanto à possibilidade de prisões, os três especialistas convergem em um ponto: a situação do ex-prefeito Antônio Furlan dentro do inquérito é considerada crítica.
“A situação do Furlan é bastante complicada. Ele é o centro das investigações. Aparece diversas vezes no inquérito, quase sempre no núcleo dos fatos”, destacou um dos advogados ouvidos pela reportagem.

Entenda os elementos que pesam no inquérito
Na avaliação dos especialistas, alguns pontos específicos levantados pela investigação são considerados altamente comprometedores e de difícil justificativa:
- Saques em espécie realizados por empreiteiros responsáveis pela obra do Hospital Municipal de Macapá e destino do dinheiro;
- Atuação do motorista do então prefeito em movimentações consideradas suspeitas;
- Depósito feito por um empreiteiro na conta da ex-esposa de Furlan;
- Transferências financeiras para empresas ligadas ao prefeito e à primeira-dama, Rayssa Furlan.
Para os juristas, o conjunto dessas movimentações financeiras, associado ao contexto da execução da obra pública, forma um quadro indiciário robusto que reforça a linha investigativa adotada pela Polícia Federal.
De acordo com as investigações, há indícios de existência de um esquema criminoso, envolvendo agentes públicos e empresários, voltado ao direcionamento da licitação, ao desvio de recursos públicos e à lavagem de dinheiro no projeto de engenharia e de execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade.
Segundo os investigadores, o grupo teria manipulado o processo licitatório para favorecer empresas específicas e, posteriormente, desviar parte dos recursos públicos destinados à obra.

Primeira fase da operação
A primeira fase da Operação Paroxismo foi deflagrada em setembro de 2025, quando a Polícia Federal cumpriu 13 mandados de busca e apreensão – 11 em Macapá e dois em Belém.
O contrato investigado havia sido firmado em maio de 2024 pela Secretaria Municipal de Saúde de Macapá e tinha valor estimado em R$ 69,3 milhões.
Na ocasião, o prefeito Dr. Furlan já havia sido citado entre os alvos da investigação.
Durante as apurações, os investigadores identificaram indícios de um complexo esquema de lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal também apontou que o grupo utilizava entregas físicas de dinheiro e movimentações bancárias simuladas para disfarçar a origem dos recursos. Um dos investigados teria sacado cerca de R$ 9 milhões em espécie.
O que esperar dos próximos passos
Com o avanço das investigações e a expectativa de novas fases da Operação Paroxismo, o caso deve continuar no centro do debate político e jurídico no Amapá, especialmente diante do impacto institucional já provocado — incluindo a saída do chefe do Executivo municipal.
Nos bastidores, a avaliação é de que o aprofundamento das investigações poderá não apenas consolidar responsabilidades individuais, mas também revelar a extensão do esquema investigado dentro da estrutura administrativa da prefeitura.
O ConectAmapá segue acompanhando o caso e trará novas informações a do andamento processual.








