Prefeitura de Macapá está entre as capitais que dificultam acesso a dados de salários de servidores

O problema, segundo os pesquisadores, são barreiras tecnológicas que dificultam a extração dos dados

As entidades analisaram os portais de transparência das capitais. Foram coletados contracheques de todos os meses de 2024

Cerca de um quarto (23%) das capitais impõe barreiras tecnológicas à extração de dados de remuneração de servidores, o que, na prática, inviabiliza a análise dessas informações, afirma a Transparência Brasil, que realizou um levantamento sobre o tema em conjunto com a República.org.

As entidades analisaram os portais de transparência das capitais. Foram coletados contracheques de todos os meses de 2024 em portais de transparência, bases de dados abertos ou APIs de cada ente, quando disponíveis, com possibilidade de download direto.

As remunerações de servidores do Executivo das 26 capitais estão disponíveis. O problema, segundo os pesquisadores, são barreiras tecnológicas que dificultam a extração dos dados.

Entre as capitais com barreiras estão Aracaju, Belém, Campo Grande, Florianópolis, João Pessoa, Macapá e Natal.

A prefeitura de Aracaju afirmou que o município “segue rigorosamente as diretrizes previstas na legislação de transparência pública e na Lei de Acesso à Informação”.

A de Belém disse que as informações estão disponíveis no portal. Campo Grande afirmou que tomou ciência do levantamento para possíveis providências. Florianópolis declarou que cumpre a legislação e disponibiliza os dados para consulta. João Pessoa afirmou que as informações estão acessíveis no portal.

Macapá e Natal não responderam.

Entre os obstáculos mais comuns estão a ausência de download completo das bases, falta de acesso via API (acesso automatizado aos dados), exigência de identificação do usuário e uso de captcha, que impede a coleta automatizada.

Também são frequentes casos em que os dados só podem ser acessados mediante filtros —é preciso selecionar órgão por órgão para obter as informações—, o que dificulta o trabalho de análise.

Na prática, isso impede que os dados sejam baixados de uma só vez em planilhas como Excel ou Google Sheets e utilizados em ferramentas de análise como R, Python, Stata ou Power BI.

Não há obrigação legal que determine o formato em que as informações devem ser disponibilizadas. Ainda assim, para a Transparência Brasil, o problema vai além de uma questão operacional, já que essas barreiras limitam o controle social.

“Entendemos que pode ser uma questão de falta de orientação com relação à transparência, uma interpretação de que só dar publicidade já seria suficiente”, diz Bianca Berti, analista sênior da entidade.

Segundo ela, embora não haja um padrão obrigatório, o modelo do governo federal serve como referência. “Os entes subnacionais fazem como bem entendem”, afirma.

A pesquisadora acrescenta que tribunais de contas estaduais têm buscado estabelecer algum nível de padronização.

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