Das 1.228 vítimas, 760 foram mortas, 358 sofreram tentativas de assassinato e 110, ameaças graves de morte

No Brasil, 1.228 pessoas foram vítimas, entre o início de 2003 e 2023, de violência política letal, considerando assassinato, tentativa de assassinato e ameaças graves de morte, segundo um estudo da USP (Universidade de São Paulo) e do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
O levantamento avaliou a violência entre políticos —incluindo titulares, candidatos e aqueles que deixaram o cargo ou a candidatura em até cinco anos antes do crime— e ativistas. Das 1.228 vítimas, 760 foram mortas, 358 sofreram tentativas de assassinato e 110, ameaças graves de morte.
“Isso significa uma média anual de 61,4 casos, ou cerca de 5,1 por mês, um número extraordinariamente alto para uma democracia estabelecida”, aponta o levantamento.
ESTADOS
Por estado, ocorreram mais crimes contra políticos no Alagoas, com 20,1 casos por 1 milhão de eleitores, no Acre (16,2), Rio de Janeiro (11,4) e Mato Grosso (11,1).
O estudo mostra que o Amapá registrou 4,5 casos por 1 milhão de eleitores N = 692, o menor da região norte, mas bem acima de outras unidades da federação como Distrito Federal (0,9), Minas Gerais (3,2), Rio Grande do Sul (2,9), Santa Catarina (2,5), Paraná (2,1) e Paraíba (4,3).

AGENTES
No total da violência contra políticos, 47% das ameaças, tentativas de assassinato e assassinatos decorreram de disputas por cargos, poder e recursos públicos.
O grupo tem mais mortes nas cidades (83%) e em período de eleições municipais. Já os ativistas registraram mais mortes em áreas rurais ou florestais (72%), além de vulnerabilidade em pleitos nacionais.
O que mais impacta a segurança dos ativistas são conflitos por terra (72%). O número de mortes, tentativa de assassinato e graves ameaças é maior em Roraima (30,7 casos por 1 milhão de eleitores) e em Mato Grosso do Sul (19,8).
PERÍODOS
O número de mortes consumadas atingiu os níveis mais baixos nos governos Lula 1 (média de 21,5 por ano) e Lula 2 (15,8), aumentou no final do governo Dilma 2, antes do impeachment, e seguiu em patamares altos nos governos Temer, incluindo o período como interino, e de Bolsonaro, apesar de queda em relação ao período anterior, potencialmente relacionada com a pandemia de Covid-19.
MÉTODO
O estudo foi feito com base na coleta de dados extraídos de notícias sobre o tema no portal G1 (de 2010 a 2023) e no jornal O Globo (de 2003 a 2013), explica Angela Alonso, professora da USP à frente do projeto.
Foram selecionadas reportagens compatíveis com os três tipos de violência definidos pelo grupo de pesquisa, do Núcleo de Instituições Políticas e Movimentos Sociais do Cebrap.
A coleta automatizada foi feita com programação, associada a raspadores de notícias de código aberto. Foram testadas palavras-chave como “assassinato político” e “homicídio político” e encontradas mais de 100 mil notícias relevantes para a pesquisa, depois depurada pelos pesquisadores.








