Aluna autista é encontrada pelo pai dormindo no chão de uma escola municipal de Macapá

Pais da menina com autismo não verbal ficaram revoltados e não sabem quanto tempo ela ficou nessa situação

A criança tem 4 anos de idade, é autista nível de suporte 2, não verbal, aluna da Escola Municipal Meu Pé de Laranja Lima, que fica no bairro Santa Rita. O pai da criança, Marcelo Almeida, informou que levou a filha para a escola nesta sexta-feira (13), para participar do bailinho de carnaval. 

Mas o que seria um momento de descontração para a menina, se transformou em revolta para a família. Ao ir buscá-la, ele encontrou a filha dormindo no chão em uma área do refeitório da escola. 

A prefeitura de Macapá emitiu nota sobre o assunto. Veja no final da reportagem

O espaço, de acordo com os relatos do pai, estava sujo e tinha formigas andando próximo. Ele achou estranho que tinha uma professora perto reparando, mesmo assim, a menina não recebeu o cuidado adequado, já que a escola tem salas com colchões para as crianças dormirem.

“Então tá algo muito largado, a escola se encontra hoje com um profissional para 25 crianças, dessas, 5 são autistas”, não tem nenhum profissional para dar suporte para os professores”, reclamou o pai.

A mãe, Adriana Silva, compartilhou o caso com os demais pais de alunos da escola. Ela e o marido, não sabem quanto tempo a filha deles ficou naquela situação e querem evitar que outras crianças passem pelo mesmo problema.

“É muito doloroso para uma mãe atípica ver que, em vez de acolhimento e estratégias de inclusão, ainda enfrentamos situações que mostram o despreparo e a falta de sensibilidade. Crianças autistas não precisam ser afastadas. Precisam ser compreendidas. Precisam ser incluídas. Inclusão não é favor. É direito”, disse a mãe revoltada com o que aconteceu. 

É muito doloroso para uma mãe atípica ver que, em vez de acolhimento e estratégias de inclusão, ainda enfrentamos situações que mostram o despreparo e a falta de sensibilidade. Crianças autistas não precisam ser afastadas. Precisam ser compreendidas. Precisam ser incluídas. Inclusão não é favor. É direito”

Adriana explica que a filha está em fase de adaptação, por isso, é importante estar na escola e participar das atividades para se socializar. 

“Ela está em fase de adaptação de horários. Às vezes, no período da tarde, ainda sente sono, e isso faz parte do processo. Mas para que essa adaptação aconteça, ela precisa estar presente na escola, precisa viver a rotina, participar, ser incluída de verdade”.

Outro problema ocorrido no mesmo dia: a menina levou água e lanche, mas os dois volumes voltaram intactos para casa e a família ficou sem saber se a criança, que não sabe dizer quando está com fome ou com sede, se alimentou na escola.

Veja a íntegra da nota da prefeitura de Macapá 

A prefeitura de Macapá, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informa que tomou conhecimento da situação ocorrida na Escola Municipal Meu Pé de Laranja Lima após relato apresentado via internet pelos responsáveis da aluna.

O caso isolado está sendo apurado com responsabilidade, cautela e transparência. A gestão municipal não compactua com qualquer prática que contrarie os princípios do cuidado, da proteção e da inclusão especialmente no que se refere às crianças atípicas, que merecem atenção prioritária.

Reiteramos nossa solidariedade à família e que as medidas administrativas já estão sendo adotadas para esclarecer os fatos e garantir que situações como essa não voltem a ocorrer.

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