Renúncia de Furlan deixa como herança prejuízos para ambulantes do Shopping Popular

A retirada forçada de 121 lojistas e 44 feirantes ocorreu às vésperas das vendas de Natal, período mais lucrativo para o comércio popular

A renúncia definitiva de Antônio Furlan ao cargo de prefeito de Macapá, oficializada no dia 5, após seu afastamento judicial, deixa como herança um grave passivo administrativo e social: a interdição do Shopping Popular.

O prédio, fechado pela gestão de Furlan no fim de novembro de 2025 sob a justificativa de “segurança preventiva”, permanece com as portas lacradas, enquanto dezenas de trabalhadores enfrentam o terceiro mês consecutivo de – praticamente – abandono nas calçadas do entorno.

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A retirada forçada de 121 lojistas e 44 feirantes ocorreu em um momento crítico: às vésperas das vendas de Natal, o período mais lucrativo para o comércio popular. O “fator fim de ano” devastou o planejamento financeiro de quem contava com o 13º salário e as festas para fechar as contas.

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Na época, Furlan prometeu auxílio emergencial e a realocação para uma estrutura provisória na Avenida Coaracy Nunes, mas os trabalhadores reclamam que a estrutura foi insuficiente e as vendas despencaram drasticamente.

Desde o início, a medida foi cercada por controvérsias técnicas. Enquanto a prefeitura alegava riscos estruturais, vistorias do Corpo de Bombeiros Militar (CBMAP) refutaram a tese de desabamento iminente.

O caso ganhou contornos de escândalo com denúncias de que a gestão Furlan teria utilizado laudos com informações falsas, incluindo o uso indevido do nome de uma empresa de consultoria que negou ter realizado a perícia e a falta de registros obrigatórios no Conselho Regional de Engenharia (Crea-AP).

Diante do que classificam como uma “simulação de interdição”, representantes dos trabalhadores moveram ações judiciais contra o município. A tese defendida na Justiça é de que a interdição foi uma manobra política para forçar a demolição de um prédio inaugurado há apenas quatro anos, visando abrir espaço para novos projetos imobiliários sem fundamentação técnica real.

Negligência
A gestão de Antônio Furlan também ignorou os mecanismos de controle. O Ministério Público do Amapá (MP-AP) abriu procedimento para apurar a interdição e exigiu que a prefeitura apresentasse vistorias técnicas. Notificada em 9 de janeiro com prazo de 15 dias, a prefeitura deixou o limite expirar em 5 de fevereiro sem qualquer manifestação oficial.

A atual gestão, assumida pelo presidente da Câmara de Macapá, vereador Pedro DaLua (UB), ainda não anunciou medidas ou intervenções no caso. Enquanto a indefinição, passados três meses, o impacto da interdição agrava cada vez mais a renda dos trabalhadores.

Sem acesso aos banheiros e pontos de apoio do prédio, os vendedores ficam expostos às intempéries. Quando chove, a mercadoria é coberta apressadamente com plásticos enquanto os trabalhadores buscam abrigo em marquises de lojas vizinhas.

A desorganização e a falta de conforto também afastaram os clientes habituais. Para a população que frequenta o centro, ver o prédio trancado e os pais de família no chão é um símbolo do descaso com o patrimônio público e com a economia local.

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