TSE mantém cassação de prefeito e vice de Oiapoque e confirma novas eleições no município

Decisão da Corte Eleitoral reafirma entendimento do TRE-AP sobre abuso de poder político e uso da máquina pública nas eleições de 2024

Por 4 votos a 3 o TSE manteve a cassação dos mandatos do prefeito de Oiapoque Breno Almeida, e do vice-prefeito Arthur Lima

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, na manhã desta quinta-feira (26), manter a cassação dos mandatos do prefeito de Oiapoque, Breno Almeida, e do vice-prefeito Arthur Lima, eleitos nas eleições de 2024. A Corte também confirmou a anulação dos votos da chapa e a realização de novas eleições no município.

A decisão valida o entendimento já firmado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), que reconheceu a prática de abuso de poder econômico , caracterizada pelo compra de votos durante o processo eleitoral.

Entenda o caso

Segundo o TRE-AP, a chapa liderada por Breno Almeida se beneficiou de estruturas e recursos para obter vantagem indevida na disputa eleitoral. Com base nisso, além da cassação dos mandatos, foi decretada a inelegibilidade dos envolvidos e a nulidade dos votos recebidos.

A defesa dos gestores recorreu ao TSE alegando cerceamento de defesa, ilegalidade das provas apresentadas, origem lícita dos recursos utilizados, inexistência de abuso de poder político.

A defesa dos gestores recorreu ao TSE alegando cerceamento de defesa

As vésperas da eleição policiais flagraram o prefeito e secretários da prefeitura com R$ 100 mil, lista de eleitores e envelopes com nome dos beneficiados. O prefeito alegou que o recurso era licito, proveniente da venda de um imóvel, porém não comprovou o alegado.

Julgamento no TSE

O recurso foi relatado pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que votou pelo provimento do recurso — ou seja, pela reversão da cassação. O relator foi acompanhado pelos ministros Floriano Marques Neto e pela ministra Estela Aranha.

No entanto, a corrente divergente, inaugurada pelo ministro André Mendonça, prevaleceu no plenário. Por maioria, os ministros decidiram manter integralmente a decisão do TRE-AP, consolidando a cassação e as sanções impostas.

O Tribunal ainda declarou prejudicado o agravo interno, mas, no mérito, a maioria dos ministros entendeu que ficaram configurados os elementos suficientes para caracterizar o abuso de poder político.

O que acontece agora

Com a decisão definitiva do TSE os mandatos de prefeito e vice permanecem cassados, os votos da chapa seguem anulados e o município de Oiapoque deverá realizar novas eleições.

A nova eleição deverá redefinir o comando do município em um ambiente já marcado por forte judicialização do processo político-eleitoral.

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