Kássio de Mangas escreveu carta elogiando à aparência física da servidora, manifestou pensamentos de cunho íntimo e sugeriu encontros fora do presídio; “muito bonita” e “atraente”

O Ministério Público do Amapá (MP-AP), por meio da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Macapá, ofereceu denúncia criminal contra o detento Kássio de Mangas dos Santos, ex-policial militar que cumpre pena no Iapen por feminicídio.
Ele é acusado de perseguir reiteradamente a policial penal Luana Lima Ferreira dentro do Centro de Custódia Especial, no bairro Zerão. De acordo com o documento assinado pelo promotor de Justiça Ubirajara Valente Éphina no dia 7 de abril de 2026, os crimes teriam ocorrido durante o desempenho das funções da servidora.
Dinâmica do Assédio
O inquérito aponta que Kássio abordou a policial em diversas ocasiões dentro do Centro de Custódia com comentários invasivos e elogios de cunho pessoal e íntimo, afirmando que ela era “muito bonita” e “atraente”.
Em um dos episódios, o denunciado chegou a comentar sobre o batom utilizado pela policial, intensificando o constrangimento no ambiente de trabalho.
O caso escalou em 4 de março de 2026, quando o detento entregou uma carta manuscrita à servidora. No texto, ele reiterou os elogios à aparência física da policial, manifestou pensamentos de cunho íntimo e sugeriu encontros fora do presídio, fornecendo contatos de familiares para comunicação externa, alegando que em breve passaria a exercer trabalho fora da unidade.
Impacto e Defesa
A vítima relatou ter se sentido intimidada e coagida, comunicando as investidas de Kássio imediatamente à direção da unidade prisional. O temor da policial foi agravado pelo fato de residir sozinha e pela possibilidade de o detento obter liberdade para trabalho externo.
Ao ser interrogado, Kássio de Mangas confessou ter escrito a carta e feito os elogios, mas alegou ter “interpretado equivocadamente” uma suposta reciprocidade, negando a intenção de intimidar a vítima.
Implicações Jurídicas
O MP-AP enquadrou a conduta de Kássio no Art. 147-A, § 1º, II do Código Penal, que dispõe sobre o crime de perseguição (stalking) cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino.
Na ação penal o MP-AP pediu que à Justiça obrigue o Kássio a usar tornozeleira eletrônica e que ele seja proibido de se aproximar ou ter qualquer tipo de contato com a policial penal, inclusive por redes sociais.
A ação tramita na 1ª Vara Criminal de Macapá e a denúncia foi recebida no dia 15 de abril.
Em outubro de 2025, a justiça concedeu ao ex-policial militar o direito de cumprir o restante da pena de mais de 25 anos de prisão em regime semiaberto, por isso, o MP pediu à justiça que ele seja monitorado por tornozeleira.
Crime de feminicídio
O caso de feminicídio em que Kássio cumpre pena ocorreu em 12 de agosto de 2018. Ele e Emily Miranda mantinham um relacionamento de dois anos. De acordo com a investigação, ele não aceitava o fim do relacionamento e assassinou a vítima com quatro tiros, dentro da casa onde o casal morava.
A Polícia Civil apurou que a vítima foi assassinada quando estava deitada na cama, e após discussões foi surpreendida com tiros, recebeu socorro, mas não resistiu e faleceu antes do atendimento no Hospital de Emergência (HE).








