Com três nomes diferentes, o homem é apontado como chefe da organização criminosa que já movimentou R$ 200 milhões

O homem apontado pela Policia Federal como líder de um esquema de garimpo ilegal de cassiterita no Amapá que movimentou mais de R$ 200 milhões, utiliza ao menos três identidades diferentes para escapar das autoridades e manter as atividades do grupo criminoso.
Conhecido como Jaime Hoffelder, ele também se apresentaria como Luiz Paulo Mallmann e Benjamim Pereira Leite. Segundo as investigações, seria o responsável por financiar a extração ilegal de cassiterita, articular o “esquentamento” do minério e operar uma rede de empresas de fachada usada para lavagem de dinheiro.
A investigação teve origem a partir da análise do aparelho celular de JOÃO GLEYSON QUADRO BULHÕES, preso em flagrante em 31/07/2023 transportando minério sem autorização.
As diligências revelaram que a organização extrai minério ilegalmente de áreas protegidas (incluindo Terras Indígenas Yanomami em Roraima e áreas no Amapá) e importa ilegalmente da Venezuela. Para conferir aparência de licitude ao produto (“esquentamento”), o grupo utiliza Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) de terceiros, que não possuem atividade extrativa real, e frauda leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM), declarando quantidades superfaturadas ou fictícias.
A lavagem dos proveitos financeiros é realizada por meio de uma rede de empresas de fachada (“noteiras” e “contas de passagem”) e o uso de múltiplas identidades falsas pelo líder do grupo. Estima-se que a organização tenha esquentado mais de 3.000 toneladas de cassiterita, movimentando valores superiores a R$ 270 milhões.
O uso de múltiplas identidades, porém, não é a única estratégia adotada pelo suspeito. De acordo com a PF, Jaime também promove uma espécie de rodízio de empresas ligadas ao esquema.
Sempre que pessoas jurídicas passam a ser alvo de investigações ou operações policiais, elas são abandonadas e substituídas por novas empresas. A prática, segundo os investigadores, tem como objetivo manter o fluxo financeiro da organização e dificultar o rastreamento dos recursos obtidos ilegalmente.
As investigações apontam que os integrantes do esquema teriam sido responsáveis pela exploração ilegal de minério em larga escala, movimentando valores superiores a R$ 200 milhões e causando expressivos prejuízos à ordem econômica, além de danos ambientais.
A Polícia Federal pediu a prisão de JAIME HOFFELDER (e suas identidades falsas); MONIQUE DOS SANTOS SILVA; DOMINGOS GOMES RIBEIRO (“Meleu”); CLÍCIA DA SILVA DUARTE; JOÃO GLEYSON QUADRO BULHÕES; e DINGO FERREIRA DE SOUZA.
Foi solicitado ainda busca e apreensão domiciliar nos endereços vinculados aos seguintes investigados: JAIME HOFFELDER (e suas identidades falsas); MONIQUE DOS SANTOS SILVA; DOMINGOS GOMES RIBEIRO (“Meleu”); CLÍCIA DA SILVA DUARTE; JOÃO GLEYSON QUADRO BULHÕES; DINGO FERREIRA DE SOUZA; RUAN JUNIO DUARTE RIBEIRO; SÉRGIO PAULO DE SOUZA JORGE; KEVIN CARLOS DUARTE DA SILVA; PAULO HUSSERL NASCIMENTO DOS SANTOS e ANGELA SAMARA MOTA DOS SANTOS.
A lavagem de dinheiro
Segundo a PF, o grupo utilizava documentos e operações simuladas para dar aparência de legalidade a minérios de origem irregular.
O esquema envolveria o uso de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) falsas, referências a leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM) e registros fictícios de beneficiamento, criando uma cadeia documental destinada a ocultar a verdadeira procedência do minério.
Operações
Nesta quinta-feira (18/6), a PF deflagrou duas operações que integram a primeira fase da Operação Trono de Ferro, iniciada em 19 de fevereiro deste ano. Na ocasião, foram cumpridos 36 mandados, resultando na prisão de seis pessoas e no bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores.
Segundo a PF, as medidas cautelares visam interromper as atividades criminosas, aprofundar a coleta de provas e identificar outros envolvidos no esquema.
Além da prisão de seis pessoas, a operação determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões, elevando para mais de R$ 650 milhões o total de bens e valores indisponibilizados no âmbito da investigação.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, lavagem de dinheiro, falsidade documental e outros delitos correlatos.








