Novas perfurações na Bacia da Foz do Amazonas serão decisivas para avaliar a viabilidade comercial da descoberta feita pela estatal a cerca de 175 quilômetros do litoral amapaense

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas na costa do Amapá. A decisão representa um novo e importante passo na avaliação do potencial petrolífero da Margem Equatorial brasileira.
A autorização foi assinada nesta quinta-feira (3) pelo presidente do Ibama, Jair Schmitt, segundo documento obtido pela Reuters e divulgado nesta sexta-feira (4). A Petrobras terá que apresentar ao órgão ambiental um cronograma atualizado das atividades de perfuração no prazo de 30 dias após o recebimento da licença.
Embora frequentemente identificada como exploração na “Foz do Amazonas”, a campanha ocorre em alto-mar, na costa do Estado do Amapá. É nessa região que a Petrobras confirmou, em agosto, a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59.
Novos poços vão ajudar a dimensionar descoberta
A autorização dos três novos poços é considerada fundamental para que a Petrobras avance na avaliação da descoberta realizada no Amapá.
A companhia precisa obter mais informações sobre as características geológicas da área e, principalmente, determinar se existe uma acumulação de petróleo em volume e condições que justifiquem economicamente uma futura produção comercial.
A presença de hidrocarbonetos foi confirmada pela Petrobras em 14 de agosto, no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), localizado no bloco FZA-M-59. O ponto está a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas com cerca de 2.886 metros de profundidade.
A descoberta provocou forte expectativa no estado, mas ainda não representa uma reserva comercialmente comprovada. As novas perfurações fazem parte justamente do trabalho necessário para conhecer melhor a extensão e as características do sistema petrolífero encontrado.
Exploração ocorre em águas profundas do Amapá
A localização das atividades ganha importância para o Amapá diante das perspectivas econômicas associadas a uma eventual confirmação de reservas comerciais.
A própria Petrobras identifica oficialmente o Morpho como um poço localizado “na costa do Amapá”. A área fica na Bacia da Foz do Amazonas, uma das bacias sedimentares que integram a chamada Margem Equatorial brasileira.
A Petrobras já havia informado que a atividade exploratória na região envolveria mais de uma perfuração. Além dos trabalhos no FZA-M-59, a companhia mantém projetos relacionados aos blocos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127.
Autorização amplia expectativa sobre potencial petrolífero
A decisão do Ibama ocorre menos de um mês depois da confirmação da primeira descoberta da Petrobras nessa área da costa amapaense.
Os três novos poços poderão fornecer informações essenciais sobre a continuidade das estruturas geológicas, características do reservatório e potencial de recuperação do petróleo. Esses dados serão determinantes para a estatal decidir os próximos passos da campanha exploratória.
A autorização, porém, não significa liberação para produção comercial de petróleo. Mesmo que as novas perfurações confirmem uma descoberta economicamente viável, uma futura fase de desenvolvimento e produção dependerá de novas etapas regulatórias e de licenciamento ambiental. A própria Petrobras esclarece que, confirmada a viabilidade comercial, será necessário um novo processo de licenciamento junto ao Ibama.
A nova etapa coloca novamente o Amapá no centro das discussões sobre a expansão da indústria brasileira de petróleo e gás. O resultado das próximas perfurações será decisivo para determinar se a descoberta anunciada em agosto poderá, no futuro, transformar-se efetivamente em um novo campo produtor na Margem Equatorial.








