Para o jornalista Heverson Castro, que acompanhava a equipe, a operação da PF “só confirma as irregularidades na obra e o desespero do prefeito de Macapá com o caso”

A obra do Hospital Geral Municipal de Macapá, alvo da Operação Paroxismo da Polícia Federal que apura fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, é a mesma que ganhou repercussão nacional após o episódio de agressão do prefeito Antônio Furlan (MDB) contra a equipe de reportagem do jornalista Heverson Castro.
Da promessa à investigação
Anunciado em 2024 como o maior investimento da saúde municipal, o hospital foi apresentado pela gestão como marco para a qualidade do atendimento em Macapá. Porém, além do atraso na entrega, tornou-se alvo de suspeitas de corrupção investigadas pela Polícia Federal, que já cumpriu mandados em Macapá e Belém (PA) relacionados ao caso.
O episódio da agressão
Durante uma visita às obras em agosto passado, Furlan se irritou com questionamentos da imprensa sobre a demora na execução do projeto e partiu para a violência. O cinegrafista Iran Froes, do Portal do Amapá, foi derrubado com um “mata-leão” aplicado pelo prefeito, diante das câmeras. O vídeo rapidamente circulou nas redes sociais e ganhou destaque em veículos de comunicação de alcance nacional.
Para o jornalista Heverson Castro, que acompanhava a equipe, a operação da PF “só confirma as irregularidades na obra e o desespero do prefeito de Macapá com o caso”. Segundo ele, a investigação revela um esquema criminoso “atuando dentro da prefeitura, com ramificações em Belém”.
A versão da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Macapá alegou que Furlan teria agido em resposta a uma suposta agressão verbal e física por parte dos jornalistas – versão que não foi confirmada pelas imagens. A justificativa, entretanto, não conteve as críticas à postura do prefeito diante da imprensa.
Repercussões políticas e jurídicas
O caso levou os jornalistas a apresentarem denúncia à Câmara Municipal de Macapá, que abriu uma Comissão Processante para apurar a conduta de Furlan. O prefeito já foi notificado e terá dez dias para apresentar defesa.
Paralelamente, a Polícia Civil instaurou procedimento para apurar a atuação do delegado responsável pelo inquérito inicial, que havia inocentado o prefeito e responsabilizado os profissionais de imprensa. A conduta do policial também é questionada por suposta parcialidade.








