Ainda que não façam parte das mesmas investigações, os dois casos estão relacionados com denúncias de corrupção e fraudes em licitações em obras da prefeitura de Macapá

A recente operação realizada pela Policia Federal com o objetivo de investigar um esquema de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de capitais na Prefeitura de Macapá, reascendeu a denúncia feita em 2024 pelo empresário do ramo da construção civil, Claudiano Monteiro de Oliveira.
Claudiano Monteiro acusou o secretário de Obras e Infraestrutura Urbana de Macapá, Cássio Cruz, de ter recebido propina em um contrato de R$ 10 milhões, reajustado para R$ 15 milhões, para construção de uma praça. Processado por calúnia pelo secretário por ter feito as acusações em uma rede social, o empreiteiro confirmou a denúncia em depoimento prestado à Justiça.
Propina
“Foi no primeiro pagamento. Foi no final de 2022 para 2023. A segunda medição que eu recebi da obra. A medição no valor de R$ 1,2 milhão”, contou Monteiro. “Eu dei 5% para a pessoa acima dele, o chefe dele lá. E para ele, ele queria que eu desse R$ 20 mil por medição. E eu dei só R$ 10 mil” declarou o empresário a justiça.
Em setembro de 2024 a Policia deflagrou a operação Plattea, como parte da investigação sobre o pagamento de propina de até 20% sobre o valor do contrato de da obra. De acordo com os investigadores da PF, a propina paga pela obra era de, em média, 5% sobre a remuneração da construtora pela prefeitura, sempre depois da aprovação dos boletins de medição dos trabalho.
Corrupção
Na operação deflagrada nesta quarta-feira (03/09) um dos alvos da investigação é o prefeito da capital, Antônio Furlan (MDB). A PF aponta indícios de que empresários e agentes públicos atuaram de forma coordenada para direcionar a licitação da obra hospitalar, que teve contrato assinado em maio de 2024 com valor total de R$ 69,3 milhões.
Ainda que não façam parte das mesmas investigações, os dois casos estão relacionados com denúncias de corrupção e fraudes em licitações nas obras da prefeitura de Macapá. Tais denúncias depõem contra a imagem de honestidade que a atual gestão da prefeitura tentou emplacar e apontam para a provavel prática de um esquema criminoso na execução de obras.
Segundo a recente operação da PF um empresário foi flagrado sacando grande quantia em espécie e repassando os valores ao motorista do prefeito de Macapá.
A informação divulgada pela policia revela um esquema de pagamento e recebimento de dinheiro ilicito envolveendo empresários, autoridades e servidores públicos. Como somente alguns casos estão sendo investigados – se comprovados – o esquema criminoso pode ser muito maior, assim como os danos aos cofres publicos.
Câmara
A denuncia realizada pelo empresário chegou a ser motivo de debates e discussões na Câmara de Vereadores de Macapá. Os vereadores chegaram a anunciar que o empresário seria ouvido, porém a sessão para que ele prestasse as informações nunca ocorreu.
Esta semana novamente a Câmara se mobilizou e um requerimento obteve 9 assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso.
Pressionado, Furlan vem se articulando para garantir maioria na Câmara e assim impedir a abertura de qualquer investigação.








