Estado registrou alta de 7,75% no número de empregos com carteira assinada entre janeiro e setembro, o melhor desempenho proporcional do país. Somente em setembro, o crescimento foi de 1,35%, o segundo maior entre as unidades da Federação

O Amapá apresentou o maior crescimento proporcional do emprego formal no Brasil nos primeiros nove meses de 2026, contrariando a tendência de desaceleração registrada no mercado de trabalho nacional. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o estado acumulou expansão de 7,75% no estoque de empregos com carteira assinada entre janeiro e setembro, o melhor resultado entre as 27 unidades da Federação.
Os números mostram que o Brasil registrou, em setembro, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
Enquanto o país enfrenta uma redução no ritmo de abertura de vagas, o Amapá aparece na liderança nacional em crescimento proporcional do emprego formal no acumulado do ano.
O desempenho estadual também foi positivo em setembro, quando o Amapá registrou crescimento de 1,35% no estoque de trabalhadores com carteira assinada, ficando atrás apenas de Alagoas, que apresentou alta de 2,47%.
Os indicadores colocam o estado entre os destaques nacionais na geração proporcional de empregos, embora o tamanho reduzido de seu mercado de trabalho deva ser considerado na comparação com estados mais populosos e economicamente maiores.
Amapá supera todos os estados no acumulado de 2026
De janeiro a setembro, o Amapá registrou a maior expansão proporcional do emprego formal do país.
De acordo com o levantamento do Ministério do Trabalho, os três estados com os melhores resultados foram:
- Amapá: crescimento de 7,75%;
- Roraima: crescimento de 4,54%;
- Piauí: crescimento de 4,52%.
O resultado mostra que o crescimento proporcional do emprego formal no Amapá superou em mais de três pontos percentuais o registrado pelo segundo colocado, Roraima.
O indicador representa a expansão do estoque de vínculos formais de trabalho, considerando a diferença entre admissões e desligamentos.
Isso significa que o percentual de 7,75% não corresponde à taxa de desemprego nem ao percentual da população empregada, mas ao crescimento do número de postos de trabalho com carteira assinada.
A liderança proporcional do Amapá também não significa que o estado tenha criado o maior número absoluto de empregos do Brasil. Estados com economias maiores, como São Paulo e Minas Gerais, continuam concentrando volumes significativamente superiores de contratações.
Ainda assim, o desempenho amapaense representa um resultado relevante para a economia estadual, historicamente marcada pela forte participação da administração pública e por limitações na diversificação das atividades produtivas.
Em setembro, Amapá teve o segundo maior crescimento do país
O desempenho positivo também foi observado especificamente em setembro.
Segundo o Novo Caged, o Amapá registrou crescimento de 1,35% no estoque de empregos formais, ficando na segunda posição nacional.
Alagoas liderou o ranking mensal, com expansão de 2,47%, enquanto Roraima apareceu em terceiro lugar, com 1,23%.
O resultado amapaense contrasta com a desaceleração nacional e demonstra que o mercado de trabalho formal do estado manteve crescimento durante o período analisado.
No Brasil, 26 das 27 unidades da Federação apresentaram saldo positivo de empregos em setembro.
O Rio Grande do Sul foi o único estado a registrar redução, com fechamento de 2.937 postos de trabalho.
Na Região Norte, o saldo conjunto foi positivo em 14.748 empregos com carteira assinada.
Brasil registra pior setembro desde 2020
Apesar do desempenho positivo do Amapá, os números nacionais revelam uma perda de ritmo na geração de empregos.
Em setembro, o Brasil criou 121.305 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 2.214.437 admissões e 2.093.132 desligamentos.
O saldo representa uma queda de aproximadamente 43,5% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram criados 214.609 empregos formais.
O resultado foi o pior para setembro desde o início da série do Novo Caged, em 2020.
O desempenho ficou abaixo até mesmo do registrado em setembro daquele ano, quando o país enfrentava os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19.
A desaceleração não ficou restrita a setembro. Entre abril e agosto de 2026, o mercado de trabalho brasileiro também apresentou os menores saldos para cada um desses meses desde 2020.
No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil criou 1.248.914 empregos formais, resultado inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
O estoque nacional chegou a aproximadamente 48,36 milhões de vínculos formais ativos.
Juros elevados são apontados como causa da desaceleração
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu parte da redução no ritmo de criação de empregos aos juros elevados.
Segundo o ministro, o custo do crédito compromete investimentos empresariais e reduz a capacidade de expansão das atividades econômicas.
A taxa básica de juros, a Selic, estava em 13,75% ao ano no momento da divulgação dos dados.
O cenário de juros elevados afeta especialmente empresas que dependem de financiamento para ampliar suas operações, adquirir equipamentos ou contratar trabalhadores.
Apesar disso, quatro dos cinco grandes setores econômicos brasileiros registraram saldo positivo de empregos em setembro.
O setor de serviços liderou a geração de vagas, com 81.241 novos postos de trabalho.
A indústria criou 19.285 empregos, seguida pelo comércio, com 15.697, e pela construção civil, com 9.468.
A agropecuária foi o único setor com resultado negativo, registrando o fechamento de 4.381 vagas.








