Amapá pode se tornar centro logístico internacional do petróleo e conectar pré-sal à Guiana e ao Suriname, destaca Estadão

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo aponta que a localização estratégica do Amapá e as descobertas de petróleo na Margem Equatorial podem transformar o estado em um polo de serviços para grandes empresas internacionais. Região já é chamada de “nova Dubai” do petróleo

A perspectiva é apresentada em reportagem publicada nesta terça-feira (3) pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão)

O Amapá poderá se transformar em um dos principais centros logísticos da indústria petrolífera da América do Sul, conectando a cadeia de fornecedores e serviços especializados do pré-sal brasileiro às operações de exploração e produção de petróleo na Guiana, no Suriname e na Margem Equatorial.

A perspectiva é apresentada em reportagem publicada nesta terça-feira (3) pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), que destaca o potencial econômico das recentes descobertas de petróleo na costa amapaense e as articulações para atrair empresas internacionais ao estado.

Segundo o jornal, a confirmação da presença de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas colocou o Brasil em uma extensa faixa petrolífera que atravessa o norte da América do Sul, desde a Colômbia e a Venezuela até a Guiana Francesa.

A região concentra grandes projetos de exploração e produção de petróleo e vem despertando o interesse de multinacionais do setor energético. O potencial econômico levou à comparação com Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que se transformou em um centro internacional de negócios, infraestrutura e serviços impulsionado inicialmente pela riqueza petrolífera.

Amapá pode conectar o pré-sal à nova fronteira mundial do petróleo

De acordo com o Estadão, a estratégia discutida por representantes dos governos estadual e federal é transformar o Amapá em um hub de serviços logísticos, capaz de conectar a cadeia de suprimentos do pré-sal, concentrada principalmente no Rio de Janeiro, às demandas da indústria petrolífera instalada no norte da América do Sul.

A proposta envolve a atração de empresas especializadas em engenharia, manutenção industrial, transporte marítimo, armazenamento, tecnologia submarina, equipamentos e serviços de apoio às plataformas de petróleo.

A localização geográfica do Amapá é considerada uma vantagem competitiva. O estado está próximo das áreas de exploração da Guiana e do Suriname, países que já atraíram investimentos bilionários de grandes companhias internacionais.

Entre as empresas que atuam na região estão ExxonMobil, Shell, TotalEnergies, Petronas, Chevron e CNPC.

A intenção é aproveitar a experiência acumulada pela indústria brasileira no desenvolvimento de tecnologias para exploração em águas profundas e ultraprofundas, especialmente no pré-sal, e estabelecer no Amapá uma estrutura de atendimento às operações brasileiras e estrangeiras.

A iniciativa também considera a perspectiva de redução gradual da produção em campos maduros do pré-sal, cujo pico produtivo é estimado para o início da próxima década.

Região pode se tornar nova fronteira energética mundial

A reportagem do Estadão destaca que técnicos envolvidos nas negociações com a Petrobras e empresas multinacionais trabalham com a perspectiva de que o norte da América do Sul se consolide como uma importante fronteira energética mundial nas próximas décadas.

A combinação de descobertas petrolíferas, localização estratégica e investimentos internacionais poderá ampliar a importância econômica da região.

Para o diretor de Atração de Investimentos da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Antônio Batista, existe a possibilidade de empresas atualmente concentradas no Sudeste brasileiro transferirem parte de suas atividades para o Norte.

Segundo ele, a indústria de petróleo depende continuamente de novos projetos, obras e serviços especializados, o que abre oportunidades para a instalação de fornecedores próximos às áreas de exploração.

O presidente da Agência Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, também considera que o estado poderá ocupar uma posição estratégica no mercado internacional.

Na avaliação apresentada ao Estadão, o cenário geopolítico mundial, marcado por conflitos em regiões produtoras de petróleo, poderá favorecer novos investimentos na América do Sul.

Pitaluga destacou que o Amapá busca se preparar para oferecer serviços e estruturas industriais capazes de atender às operações petrolíferas de diferentes países.

Petrobras confirma novas ocorrências de petróleo na costa amapaense

As perspectivas econômicas ganharam força com os resultados das atividades exploratórias realizadas pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas.

Segundo o Estadão, na quinta-feira, 29 de outubro, a estatal concluiu uma etapa de perfuração e confirmou uma terceira ocorrência de petróleo no poço Morpho, localizado em águas ultraprofundas da costa do Amapá.

As descobertas reforçam o interesse pela região, mas ainda não representam a confirmação de reservas comercialmente exploráveis.

Para que a produção seja iniciada, serão necessários novos estudos geológicos, avaliações técnicas, investimentos e procedimentos de licenciamento.

A confirmação da viabilidade econômica é considerada fundamental para definir a dimensão dos projetos e a infraestrutura necessária ao desenvolvimento da atividade petrolífera.

Disputa entre Amapá e Pará pela infraestrutura logística

Apesar das perspectivas favoráveis, a reportagem também destaca as incertezas sobre a localização das principais estruturas logísticas que atenderão à futura indústria petrolífera.

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a capital paraense possui infraestrutura mais preparada do que Oiapoque

Em outubro, durante visita a Belém, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a capital paraense possui infraestrutura mais preparada do que Oiapoque para receber operações de apoio ao setor.

A declaração provocou reação de representantes políticos e empresariais do Amapá, que defendem a instalação de bases operacionais e centros logísticos no próprio estado.

A Federação das Indústrias do Amapá (Fieap) divulgou manifestação contrária à possibilidade de o estado ser preterido na distribuição dos investimentos.

A entidade argumentou que o Amapá não deve ficar restrito ao fornecimento de apoio aéreo ou à instalação de estruturas secundárias.

Posteriormente, Magda Chambriard afirmou que não existe uma disputa entre Amapá e Pará e que os dois estados poderão participar do desenvolvimento da Margem Equatorial.

Em resposta ao Estadão, a Petrobras esclareceu que a definição das estruturas logísticas permanentes dependerá de estudos técnicos, da viabilidade econômica das descobertas, da dimensão dos projetos e do número de unidades de produção que venham a ser instaladas.

Portanto, ainda não existe decisão definitiva sobre a localização das futuras bases operacionais.

Empresas começam a se instalar no Amapá

A possibilidade de expansão da indústria petrolífera já começa a movimentar o setor empresarial amapaense.

Segundo o Estadão, empresas que atuam há décadas no mercado de petróleo do Rio de Janeiro estão abrindo escritórios e estudando oportunidades de negócios em Macapá.

Um dos exemplos apresentados é a Pek Teknep, especializada em engenharia de projetos, que decidiu estabelecer uma estrutura física no Amapá após os resultados das atividades exploratórias da Petrobras.

Os empresários Pedro Véliz e Patricia Kong, responsáveis pela empresa, identificam oportunidades relacionadas à certificação de fornecedores, elaboração de projetos e prestação de serviços especializados.

A experiência adquirida pela companhia em Macaé, no Rio de Janeiro, um dos principais centros de apoio à indústria petrolífera brasileira, poderá contribuir para a preparação de empresas locais.

Entretanto, os empresários reconhecem que o desenvolvimento da atividade será gradual e dependerá de investimentos em infraestrutura e qualificação profissional.

Falta de infraestrutura e mão de obra especializada são desafios

Embora o Amapá apresente vantagens geográficas, a reportagem do Estadão aponta obstáculos que precisam ser superados para que o estado se transforme em um centro logístico internacional.

Entre os principais problemas estão a insuficiência de infraestrutura, a escassez de profissionais especializados e a dificuldade de empresas locais atenderem às exigências técnicas e de certificação da Petrobras.

Em Oiapoque, município mais próximo das áreas de exploração, a estrutura de hotelaria e serviços ainda apresenta limitações.

A indústria petrolífera exige instalações portuárias adequadas, sistemas de transporte eficientes, hospitais preparados para emergências, serviços especializados de segurança e empresas capacitadas para operar equipamentos de alta complexidade.

Outro obstáculo é o custo operacional.

Segundo estimativas de empresas consultadas pelo Estadão, manter profissionais especializados no Amapá pode custar até três vezes mais do que em centros industriais consolidados, considerando despesas com deslocamento, transporte, moradia e serviços.

Essas dificuldades demonstram que a transformação do potencial petrolífero em desenvolvimento econômico dependerá de planejamento, investimentos públicos e privados e políticas de qualificação profissional.

Desenvolvimento econômico dependerá de investimentos e decisões estratégicas

A reportagem do Estadão também evidencia a importância das decisões políticas e administrativas que serão tomadas nos próximos anos.

O governo do Amapá vem realizando articulações com empresas petrolíferas e investidores internacionais para apresentar as oportunidades oferecidas pelo estado.

O trabalho inclui negociações com representantes da Guiana, do Suriname e de outros países interessados na expansão da indústria de petróleo e gás.

O governador eleito Antônio Furlan (PSD), cuja possibilidade de assumir o mandato ainda depende da definição de sua situação jurídica pela Justiça Eleitoral, afirmou ao jornal que pretende criar um fundo soberano para administrar eventuais receitas provenientes da exploração petrolífera.

Segundo ele, os recursos dos royalties deverão ser direcionados a obras estruturantes, considerando que a atividade poderá produzir riqueza, mas também problemas sociais.

A eventual arrecadação, entretanto, dependerá da confirmação de reservas comerciais, do início da produção e das regras legais de distribuição dos recursos.

Oportunidade histórica ainda depende de resultados concretos

A perspectiva apresentada pelo Estadão coloca o Amapá diante de uma oportunidade de diversificação econômica.

Além das atividades diretamente relacionadas à exploração de petróleo, a instalação de um centro logístico internacional poderá estimular setores como construção civil, transporte, comércio, hotelaria, alimentação, tecnologia e serviços especializados.

O desenvolvimento dessa cadeia produtiva também poderá ampliar a demanda por trabalhadores qualificados e criar oportunidades para empresas locais.

Entretanto, a localização geográfica privilegiada e a presença de petróleo não garantem, isoladamente, que o estado receberá os principais investimentos.

Será necessário superar limitações históricas de infraestrutura, assegurar segurança jurídica, qualificar trabalhadores e estabelecer políticas que permitam à população participar dos benefícios econômicos.

Também será indispensável compatibilizar os projetos com as exigências ambientais e a proteção das comunidades tradicionais da região amazônica.

A transformação do Amapá em um centro logístico internacional permanece, portanto, como uma possibilidade econômica, e não como um projeto definitivamente consolidado.

A reportagem do Estadão mostra que o estado entrou no radar de grandes investidores internacionais. O desafio, agora, será transformar o interesse empresarial e o potencial petrolífero em investimentos concretos, empregos, arrecadação e melhoria das condições de vida da população amapaense.

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