Estão morrendo idosos, jovens e crianças, e o número é bem maior do que foi divulgado pelo governo, afirma a amapaense

Em meio à onda de calor extremo na Europa, a França registrou um excedente de cerca de mil mortes em apenas três dias, informou o Ministério da Saúde do país neste domingo (28/6). O número pode ser ainda maior, porque os dados, recolhidos desde a quarta-feira (24/6), ainda não são definitivos.
“As funerárias estão lotadas. A situação é idêntica à que enfrentamos no começo da Covid-19. Estão morrendo idosos, jovens e crianças, e o número é bem maior do que foi divulgado pelo governo”, relata a amapaense Socorro Tikhomiroff, que há 20 anos mora na região da Normandia, no noroeste da França, a 200 quilômetros de Paris, onde o clima predominante e de temperaturas baixas, muito agradável e descrita em romances franceses conhecidos mundialmente.
A amapaense conta ainda que o comércio não dispõe mais de aparelhos de ar-condicionado nem de centrais de ar para venda, e que as previsões indicam que, a partir de quarta-feira (1º), a temperatura volte a subir.
O calor cedeu um pouco na França neste domingo, após dias com os termômetros marcando mais de 40ºC em diversas áreas.
Recordes

“Vários recordes mensais e históricos foram quebrados; terça-feira, 23 de junho, foi o dia mais quente já registrado no país, superando o recorde estabelecido em 2003”, informou o Ministério da Saúde.
Na data, o serviço meteorológico francês registrou 44,3ºC em Pissos — marcando o dia mais quente no país desde o início das medições, em 1947.
Mortes
O ministério contabilizou mais de 1,2 mil mortes por todas as causas em 24 de junho, 1,4 mil em 25 de junho e outras mais de 1,4 mil em 26 de junho. Em abril e maio, essa média diária foi de cerca de 900 a mil mortes por dia.
“Esse aumento tem sido mais acentuado nas regiões sob alerta vermelho nos últimos dias, em particular em Île-de-France, Nouvelle-Aquitaine, Bretanha, Centro-Vale do Loire, Normandia e País do Loire”, afirmou o Ministério da Saúde.
“Nasci no Brasil, morei na Índia e na Guiana Francesa, mas nunca tinha vivido uma experiência de calor como essa que estamos enfrentando aqui”, afirma Tikhomiroff.

Afetados
Embora todas as faixas etárias tenham sido afetadas, 85% das mortes foram de pessoas com 65 anos ou mais.
As mortes aumentaram em hospitais, casas de repouso e residências, observou o ministério, acrescentando que, em particular, as mortes em casa dispararam 40%.
O ministério ressaltou que os números se baseiam apenas em atestados de óbito eletrônicos e, portanto, não são conclusivos, representando normalmente cerca de 60% da mortalidade nacional, sendo as mortes em casa um ponto cego.








