Jovem de 23 anos, natural de Castanhal, afirma que acreditava que atuaria em função de apoio, mas acabou enviado para a linha de frente da guerra; Itamaraty acompanha o caso

O brasileiro Herik Ferreira Soares, de 23 anos, natural de Castanhal, no Pará, foi capturado por forças militares russas durante o conflito entre Rússia e Ucrânia. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo em que o jovem aparece emocionado relatando que teria sido enganado por uma promessa de trabalho e enviado para uma zona de combate.
Ao jornal O Globo, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que acompanha a situação por meio da Embaixada do Brasil em Moscou. Segundo o Itamaraty, a pasta mantém contato com a família do brasileiro e presta assistência consular.
Herik afirmou que aceitou viajar para a região acreditando que exerceria uma atividade de apoio, longe dos confrontos, mas que acabou colocado na linha de frente.
“Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente, para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido. Meu serviço não era de combatente”, declarou.
No relato, o jovem disse estar arrependido da decisão e afirmou que estrangeiros envolvidos no conflito seriam tratados como pessoas descartáveis para reforçar as tropas. Ele citou brasileiros e outros latino-americanos entre os estrangeiros que estariam passando por situação semelhante.
Em uma mensagem direcionada à família, Herik pediu perdão à mãe por não ter seguido os conselhos dela antes de retornar à Ucrânia. “Mãe, me perdoa por não ter escutado o que a senhora disse e por ter voltado para esse inferno. Pense bem antes de vir para cá e perder algo muito maior, que é a sua família. Não compensa vir atrás de dinheiro que não vale a pena”, afirmou.
O Ministério das Relações Exteriores informou que casos envolvendo brasileiros ligados a forças militares estrangeiras possuem particularidades relacionadas aos compromissos assumidos no momento do alistamento e às circunstâncias do conflito.
O governo brasileiro tem alertado cidadãos sobre riscos de aceitar propostas de trabalho ou recrutamento para atuar em guerras no exterior. Segundo o Itamaraty, pessoas alistadas em forças estrangeiras podem enfrentar dificuldades para deixar áreas de combate e a assistência consular pode ser limitada.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre as condições em que Herik está detido nem sobre possíveis negociações para a retirada do brasileiro da zona de conflito.








