Cerco se fecha sobre aliados de Furlan em esquema de “ataques digitais”, pagos com dinheiro público

Depoimentos a justça e inquérito revelam estrutura dentro da prefeitura usada para ataques e fake news

Em menos de uma semana dois casos trouxeram a público a confirmação da existência do chamado “gabinete do ódio”

O avanço de investigações e revelações judiciais começam a apertar o cerco contra aliados do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, suspeitos de integrar um esquema de produção e disseminação de notícias falsas financiado com recursos públicos.

Em menos de uma semana dois casos trouxeram a público a confirmação da existência do chamado “gabinete do ódio”, montado e estruturado dentro da prefeitura com recursos públicos para promover Fake News e atacar adversários de Furlan.

Depoimento a justiça

O primeiro caso envolve um ex-assessor da assessoria de comunicação do ex-prefeito. Em depoimento a justiça no último dia 25/03, Gleidson Alves Barros expôs detalhes do funcionamento de uma estrutura interna na prefeitura que atuava como uma verdadeira “milícia digital”, responsável por atacar adversários políticos e influenciar o debate público nas redes sociais.

Gleidson Alves Barros – trabalhou na assessoria de Furlan até dezembro passado –  revelou a existência de  um grupo denominado “artilheiros”  que operava dentro da estrutura da comunicação institucional da prefeitura.

Segundo o relato, havia servidores nomeados recebendo salário público para promover ataques a adversários do prefeito e contra quem realizasse critícas a gestão municipal. Essas pessoas recebiam orientação direta de gestores da comunicação para realizar a produção e disparo de conteúdos difamatórios e uso de redes sociais e aplicativos de mensagem para ataques direcionados.

Os alvos seriam, principalmente, jornalistas, comunicadores e adversários políticos da gestão, em uma estratégia que, segundo as investigações, visava desgastar opositores e controlar a narrativa pública.

O ex-integrante afirmou ter recebido “orientações para atacar determinadas pessoas”, indicando que as ações não eram isoladas, mas parte de uma engrenagem estruturada dentro da administração pública.

Gleidson Alves Barros expôs detalhes do funcionamento de uma estrutura interna na prefeitura

Outro caso, mesmo crime

De acordo com informações publicadas nesta segunda-feira (30/03) um outro caso, vinculado a mesma conduta criminosa, acaba de ser apontado pela Polícia Civil. Trata-se de um inquérito que investigou a disseminação de informações falsas envolvendo o deputado estadual Jory Oeiras e os jornalistas Heverson Castro e Iran Froes. O relatório aponta que houve manipulação de informações e ampla disseminação de acusações sem comprovação nas redes sociais

O caso teve origem após a agressão do prefeito de Macapá, Antônio Furlam contra o cinegrafista Iran Froes. No dia seguinte ao fato circulou um áudio na internet onde supostamente o deputado Jory Oeiras falava sobre o pagamento de R$ 60 mil reais para que o fato envolvendo o prefeito tivesse ocorrido. No entanto, laudo pericial da Polícia Científica constatou que o áudio original não contém qualquer menção ao valor, mas sim a expressão relacionada a “cinegrafistas”, indicando que houve adulteração por edição ou inserção de legenda.

A Policia Civil indiciou 10 pessoas por crimes como denunciação caluniosa e calúnia nas redes sociais. Ao final, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar o caso e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

A Policia Civil indiciou 10 pessoas por crimes como denunciação caluniosa e calúnia nas redes sociais

De olho em 2026

As ações descritas apontam para uma possível estratégia antecipada visando as eleições de 2026 ao governo do Amapá.

A utilização de estruturas financiadas com dinheiro pode configurar não apenas irregularidades administrativas, mas também crimes eleitorais.

Pressão aumenta

Com os depoimentos vindo à tona e a possibilidade de novas provas — incluindo prints e registros de mensagens — o cenário indica que novas fases de investigação podem atingir diretamente figuras centrais da antiga gestão.

O que antes era tratado como denúncia isolada agora ganha contornos de organização estruturada, com potencial de desdobramentos judiciais e políticos de grande impacto no Amapá.

No tabuleiro eleitoral de 2026, o caso pode se transformar em um dos principais pontos de desgaste para aliados do ex-prefeito — e um divisor de águas na disputa pelo governo do estado.

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