Efeitos esperados incluem menos chuva, mais calor, queda no nível dos rios e maior risco de queimadas

O Amapá deve ficar em alerta para os possíveis efeitos do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. Nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e Censipam aponta probabilidade superior a 80% de configuração do fenômeno no período, com possibilidade de persistência até o início de 2027.
Na Região Norte, o principal impacto previsto é a redução das chuvas, especialmente entre junho e março, acompanhada de temperaturas acima da média. Para o Amapá, isso pode significar estiagem mais prolongada, maior pressão sobre rios, igarapés, comunidades ribeirinhas, agricultura familiar e abastecimento em áreas mais vulneráveis.
O fenômeno altera o regime de chuvas, aumenta as temperaturas e prolonga os períodos de estiagem, criando um cenário que compromete a biodiversidade da maior floresta tropical do planeta. Entre as consequências estão a redução do volume dos rios, o aumento das queimadas, a morte de espécies e mudanças na dinâmica dos ecossistemas.
A nota técnica alerta que o El Niño aumenta o risco de fogo na Amazônia Legal. A combinação de estação seca prolongada, calor elevado e baixa umidade favorece incêndios florestais e queimadas, atingindo diretamente a floresta, áreas agrícolas e a qualidade do ar.

Outro ponto de preocupação é a redução do nível dos rios. O déficit de chuvas nas bacias amazônicas pode afetar a navegação, a pesca, a produção agrícola e o acesso de comunidades ribeirinhas a serviços essenciais, como alimentos, água e atendimento de saúde.
Especialistas também alertam que o fenômeno ameaça a biodiversidade amazônica. A seca e o calor extremo podem reduzir a vazão dos rios, aumentar a mortalidade de peixes, provocar estresse hídrico na vegetação e ampliar a propagação do fogo em áreas que historicamente não conviviam com queimadas.
De acordo com a geógrafa Cláudia Pinheiro Nascimento, da Universidade Católica de Brasília (UCB), a biodiversidade amazônica sofre impactos que vão muito além da mortalidade imediata de plantas e animais. A seca prolongada reduz a disponibilidade de água, prejudica a fotossíntese, diminui o crescimento das árvores e favorece incêndios que alteram a composição da floresta.
Embora os efeitos exatos dependam da intensidade do fenômeno e da interação com o Atlântico Tropical, o cenário exige planejamento preventivo no Amapá. Defesa Civil, órgãos ambientais, prefeituras e governo estadual devem reforçar o monitoramento de queimadas, rios, abastecimento e apoio às comunidades mais expostas.
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