O caso, revelado em entrevista à TV Amapá e repercutido pelo ConectAmapá, expõe um ambiente político cada vez mais contaminado

A política amapaense, historicamente marcada por embates acirrados, porém pautados pelo debate — desde os tempos de Capiberibe contra Barcellos até a disputa entre Capiberibe e Waldez —, atravessa seu momento mais sombrio. O processo pré-eleitoral para o governo em 2026 começa sob a sombra de ameaças, invasões domiciliares e a atuação de uma suposta milícia digital vinculada ao ex-prefeito Antônio Furlan.
O nível de violência e intimidação acaba de atingir um patamar sem precedentes. O relato da suposta tentativa de captura de provas envolvendo um ex-integrante da estrutura investigada pela Polícia Federal como milícia, assim como a intimidação contra outros colaboradores da investigação, acendeu um sinal de alerta sobre a radicalização que pode marcar a disputa pelo Governo do Amapá.
O caso, revelado em entrevista à TV Amapá e repercutido pelo ConectAmapá, expõe um ambiente político cada vez mais contaminado por intimidação, ataques a adversários e violência simbólica e física, reforçando um cenário que, para especialistas, já coloca em xeque a lisura do pleito que se avizinha.
O psicólogo Gleidson Alves Barros, apontado pela PF como operador do grupo investigado na Operação Palanque Digital, afirmou que teve a casa monitorada, invadida e que foi rendido por um homem armado que buscava um celular com informações que poderiam comprometer a estrutura investigada e, segundo ele, atingir diretamente o ex-prefeito. O relato é grave e, se confirmado, aponta para um novo patamar de pressão sobre testemunhas e possíveis colaboradores das investigações.
ALERTA MÁXIMO
O agravamento da violência política exige pronta e firme resposta dos órgãos de controle. O Ministério Público, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal precisam atuar com celeridade para coibir o avanço desse clima de terror antes que a integridade democrática das próximas eleições seja irremediavelmente comprometida.

Um nível inédito de degradação política
A história política do Amapá sempre foi marcada por disputas duras e polarizadas. Embates históricos entre João Capiberibe e Anníbal Barcellos, e posteriormente entre Capiberibe e Waldez Góes, produziram confrontos eleitorais intensos, mas sem o nível de degradação institucional e de violência política que começa a emergir agora.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que a combinação entre desinformação organizada, uso de recursos públicos para impulsionamento político, perseguição digital e intimidação de fontes pode gerar uma contaminação estrutural do processo eleitoral antes mesmo da abertura oficial da campanha.
Para o advogado especialista em direito eleitoral Luciano Del Castilo, o que agrava ainda mais a situação é o fato de que as fake News continuam a todo vapor, patrocinadas pelo mesmo grupo já investigado.
“Exemplo disso foi que no mesmo dia da operação (Palanque Digital) o ex secretário Menescal foi a público difundir informação falsa de que não teria sido preso, mesmo o delegado da PF confirmando sua prisão. Na minha opinião ele deveria ter sido preso novamente”, afirma o advogado.
Invasões sem resposta
O episódio também reacende a memória recente das invasões ao prédio da Prefeitura de Macapá e à sede da MacapáPrev, ocorridas logo após a renúncia de Furlan. Até o momento, nenhum responsável foi formalmente identificado ou responsabilizado.
Fontes da Secretaria de Segurança Pública do Amapá, ouvidas sob sigilo, disseram que a principal linha de investigação é a destruição de provas sobre ilícitos cometidos na gestão previdenciária do município. Chamou a atenção dos investigadores o fato do alvo central da ação serem os computadores do setor financeiro.
A ausência de responsabilização, para setores da sociedade civil, fortalece um ambiente de permissividade e amplia a sensação de impunidade.


Violência
Em agosto de 2025 o prefeito Furlan atacou uma equipe de jornalistas ao ser questionado sobre o andamento da obra do hospital geral de Macapá. O momento foi registrado em um vídeo que mostra Furlan tentando aplicar um mata-leão em um dos integrantes do grupo que acompanha o jornalista Heverson Castro, do Portal Amapá.
Tanto na esfera polícial como na Câmara de Vereadores o prefeito nada respondeu sobre o caso, porém em maio de 2026 foi afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal exatamente em razão da suspeita de um esquema de desvio de recursos públicos da obra do referido hospital

Pleito sob suspeita
A Operação Palanque Digital investiga o uso de mais de R$ 25 milhões em contratos públicos que, segundo a PF, teriam financiado uma rede de produção de conteúdo, ataques coordenados contra adversários e promoção política do então prefeito. A investigação aponta Furlan como principal beneficiário da estrutura. A defesa nega qualquer irregularidade.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que o pleito de 2026 pode já estar parcialmente comprometido pela atuação prévia dessa engrenagem digital, especialmente porque Furlan aparece entre os líderes nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado.
O que está em jogo agora, segundo especialistas, não é apenas a responsabilização criminal ou eleitoral de eventuais envolvidos, mas a própria capacidade das instituições de preservar a integridade democrática em um cenário que pode se tornar ainda mais explosivo nos próximos meses.
“Recursos públicos e servidores públicos foram utilizados para gerar na opinião pública uma situação amplamente favorável em ao ex-prefeito ” avalia Luciano Del Castilo.
Para Del Castilo “ a popularidade do ex-prefeito Furlan foi inflada mediante a utilização de expedientes ilícitos. Recursos públicos e servidores públicos foram utilizados para gerar na opinião pública uma situação amplamente favorável em ao ex-prefeito e extremamente conflituosa e desfavorável aos seus adversários”,
Na opinião de outros especialistas ouvidos pela reportagem o processo eleitoral pode estar sendo moldado pela coerção, pelo medo e a sociedade aguarda ações enérgicas para garantir que o voto, em 2026, seja fruto da liberdade, e não da ação das milícias digitais e dos atos contrários ao exercício democrático.








