MPT investiga Hospital São Camilo por possível falha no registro de acidentes de trabalho 

Levantamento identificou benefícios previdenciários concedidos a funcionários sem a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho; hospital deverá apresentar documentos e explicações

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito civil para investigar possíveis falhas no registro e na comunicação de acidentes e doenças relacionados ao trabalho na Sociedade Beneficente São Camilo, responsável pelo Hospital São Camilo, em Macapá.

O Portal ConectAmapa tenta obter uma resposta do São Camilo sobre o inquérito. O espaço está aberto para manifestação.

A investigação foi instaurada após um levantamento preliminar identificar um volume expressivo de benefícios previdenciários concedidos a trabalhadores da empresa sem a correspondente emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). 

O documento, assinado em 6 de outubro, pelo procurador do trabalho Hugo Anciães da Cunha, não informa quantos funcionários foram identificados nessa situação.

MPT aponta possíveis falhas

O órgão quer apurar se o hospital deixou de registrar ou comunicar acidentes e doenças ocupacionais aos órgãos responsáveis. A CAT é o documento que informa à Previdência Social a ocorrência de acidentes de trabalho e doenças relacionadas à atividade profissional. Sua emissão é obrigatória.

O MPT também investiga se as notificações foram feitas ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), utilizado pelas autoridades de saúde para monitorar doenças e outros problemas que exigem comunicação obrigatória.

Documentos obrigatórios

A portaria de instauração do inquérito, determina que o São Camilo apresente em 15 dias, as medidas adotadas e os documentos referentes ao período iniciado em janeiro de 2022, até a presente data, incluindo:

  • Relações de afastamentos, acidentes registrados e notificações feitas ao Sinan;
  • Informações sobre benefícios previdenciários concedidos aos trabalhadores;
  • Relatórios de investigação de acidentes e doenças, com as causas identificadas e as medidas adotadas para prevenir novas ocorrências;
  • Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) e de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO);
  • Procedimentos internos para registrar e comunicar ocorrências, além da identificação dos profissionais responsáveis.

O MPT também solicitou relatórios anuais do PCMSO referentes ao período de 2020 a 2024 e informações sobre eventuais contestações apresentadas ao INSS quanto à relação entre doenças e atividades profissionais.

A partir das informações, o órgão pretende verificar se a instituição cumpre as obrigações legais de comunicação e prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

A abertura do inquérito não significa que as irregularidades foram comprovadas. O documento não apresenta uma conclusão definitiva sobre o caso nem informa a aplicação de penalidades ao hospital.

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