Levantamento 3D busca identificar estruturas no subsolo que possam indicar novas áreas com potencial para exploração de petróleo

Poucas semanas após a Petrobras anunciar a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na costa do Amapá, um novo levantamento sísmico começou na região. O projeto Amapá 3D é realizado pela SLB e pela Shearwater GeoServices, com o navio sísmico Amazon Warrior, a aproximadamente 130 quilômetros do poço.
O objetivo é produzir imagens em três dimensões do subsolo marinho e identificar estruturas geológicas que possam indicar áreas de interesse para futuras perfurações na Margem Equatorial. O levantamento utiliza a tecnologia sísmica Isometrix, da Shearwater, enquanto a SLB ficará responsável pelo processamento dos dados e pela produção das imagens subterrâneas com técnicas avançadas.
Como funciona o mapeamento
A sísmica 3D funciona como uma espécie de “tomografia” do subsolo. O navio percorre linhas planejadas no oceano e emite ondas acústicas que atravessam as camadas de rocha. Sensores registram os sinais refletidos e, depois, os computadores transformam essas informações em imagens tridimensionais.
Os dados podem revelar dobras, falhas, estruturas sedimentares e possíveis armadilhas geológicas onde hidrocarbonetos poderiam estar acumulados. A tecnologia não substitui a perfuração. As imagens ajudam a identificar alvos mais promissores, mas somente um poço pode confirmar quais fluidos existem nas rochas e se uma eventual descoberta tem viabilidade comercial.
Dados serão oferecidos a diferentes empresas
O Amapá 3D é um projeto do tipo multi-client. Nesse modelo, os dados não são produzidos exclusivamente para uma única empresa. As informações podem ser licenciadas posteriormente para diferentes companhias interessadas em avaliar oportunidades exploratórias.
A estratégia permite reunir informações sobre uma área ainda pouco conhecida e reduzir a necessidade de que cada empresa faça seu próprio levantamento sísmico.
Levantamento não significa nova descoberta
Apesar da proximidade com o poço Morpho, o início do levantamento sísmico não significa que uma nova descoberta de petróleo tenha sido feita. O Amapá 3D também não representa o início de uma nova perfuração. A função do projeto é justamente reduzir as incertezas antes que empresas decidam onde investir em novos poços.
Na prática, o objetivo agora é conhecer melhor o que existe quilômetros abaixo do fundo do oceano. Se as imagens apontarem estruturas promissoras, elas poderão orientar novos investimentos. Se não apontarem, também poderão evitar que empresas gastem grandes quantias em alvos pouco favoráveis.








